Campo Grande/MS – As Lojas Americanas já encontraram o culpado no episódio em que um dos seus seguranças – Décio Garcia de Souza – espancou barbaramente, numa sala reservada, o vigilante Márcio Antonio de Souza, 33 anos, acusado do furto de dois ovos, pelos quais garante haver pago, na véspera da Páscoa, em abril passado: é a vítima.
Pelo menos foi isso o que disse aos vereadores de Campo Grande, Mato Grosso do Sul, o advogado representante da empresa, Silzomar Furtado Mendonça Júnior, em depoimento na audiência da Câmara Municipal de Campo Grande, na tarde da última terça-feira (23/05), convocada por iniciativa do vereador Marcos Alex, do PT.
“Este foi um fato inédito, não praticado por funcionários das Lojas Americanas, mas por um funcionário da empresa de segurança, que afirma ter agido em legítima defesa. O caso já está sendo devidamente investigado e estamos abertos para qualquer esclarecimento”, afirmou o advogado, num esforço para transformar a vítima em ré.
Em conseqüência da sessão de espancamentos a que foi submetido na salinha da loja para onde foi levado, o vigilante está com o nariz fraturado em três partes sofreu lesões no olho e ouvido esquerdos e está com a visão e audição parcialmente comprometidas.
Segundo a família, a agressão teve motivação racista. “A brutalidade contra o meu irmão aconteceu por ele ser negro”, afirmou o irmão Gilberto Fernandes.
Estratégia da empresa
O advogado da empresa S & V Segurança, Felipe Mattos de Lima Ribeiro, embora tenha preferido não responsabilizar diretamente a vítima, também adotou a estratégia de se esquivar de responsabilidades. “A empresa presta serviços de vigilância para as Lojas Americanas há quatro anos e esta é a primeira vez que uma agressão assim acontece. O funcionário Décio está afastado da empresa até que o caso seja apurado. Não podemos criminalizar a empresa por um ato praticado por uma pessoa isolada”, afirmou.
Por sua vez, Márcio Antonio de Souza, foi ouvido na manhã desta quarta-feira, na Câmara Municipal, e desafiou o agressor a apresentar o laudo do exame de Corpo de Delito para provar ter sido agredido. “Fui espancado covardemente”, acrescentou.
Ele continua usando óculos escuros e não consegue abrir o olho lesionado, que tem sensibilidade à claridade. O exame de deslocamento da retina atestou a lesão, porém, o oftalmologista Roberto Gasparini, responsável pelos exames, garante que a visão não foi comprometida e Márcio poderá voltar a enxergar nos próximos 30 dias.
No dia 07 de junho, o vigilante terá de se submeter a uma cirurgia para corrigir a fratura no nariz. Com um salário de R$ 850,00, ele está pedindo a ajuda de todas as pessoas no Brasil, que quiserem contribuir para levantar os R$ 2 mil necessários à realização da cirurgia.
Sua advogada, Regina Iara Bezerra, disse que o Ministério Público deverá entrar na investigação e que se trata de crime de tortura previsto na Lei 9455/97, que prevê de até oito anos em caso de condenação.
Solidariedade
A Afropress resolveu encampar o movimento de solidariedade como parte da Campanha “Chega de violência e impunidade. Queremos Justiça!” e está divulgando o número da conta do vigilante na Caixa Econômica Federal de Campo Grande. Quem quiser ser solidário pode depositar qualquer quantia a partir de R$ 10,00 na Conta é 955-7 – Agência 2224, aberta exclusivamente para receber doações.
Márcio disse que prestará contas de cada centavo que for depositado e expressou gratidão pela solidariedade que tem recebido.

Da Redacao