Na vibrante capital britânica já se encontram a maioria das delegações participantes no grande evento cuja tocha, após ter sido acesa em Olímpia, na Grécia, em 10 de maio, chegou à Grã-Bretanha dia 18 do mesmo mês, cumprindo depois um longo percurso de mais de 13 mil Km em solo britânico. Carregado por cerca de 8 mil voluntários que receberam calorosa recepção por onde passaram, o fogo olímpico chegou a Londres no passado dia 20 de julho.
De entre as pessoas que o carregaram, destacam-se importantes figuras afrodescendentes como a antiga campeã olímpica Kelly Holmes (a primeira pessoa a carregar a tocha em Londres), detentora de duas medalhas de ouro nas provas de 800 e 1.500 metros, respetivamente, nos Jogos de Atenas em 2004.
A tocha passou igualmente pelas mãos de celebridades negras como os artistas Dizzee Rascal e Will i.am. Também foi carregada por conhecidos britânicos negros como Doreen Lawrence, mãe de Stephen Lawrence, o jovem negro assassinado em 1993 num vil ataque racista, crime que ficou para a história como o caso que mudou as relações raciais na sociedade britânica e Leroy Henry, um popular treinador de fitness nos mais conceituados ginásios de Birmingham.
Apesar de ter como lema ”inspire uma geração”, os Jogos Olímpicos de Londres são, ou pretendem ser, acima de tudo, uma festa de celebração de uma cidade da alma olímpica igualmente inspiradora pelas suas diversidade e inclusão multicultural.
Aliás, a diversidade de povos e culturas foi a razão chave para que a capital britânica, uma das cidades mais multiculturais do mundo, fosse escolhida para acolher as Olimpíadas deste verão no hemisfério norte.
Nesse sentido, na página oficial do Comitê Organizador dos Jogos de Londres 2012, pode-se ler que um dos objetivos primeiros da organização é o de fazer da inclusão e da diversidade o fator diferenciador da grande festa de todos os esportes.
Tal objetivo, salienta o Comitê, não passa pelo mero recrutamento de uma força de trabalho diversa. Também inclui fornecedores, competidores, oficiais dos jogos, pessoal da segurança e espectadores, enfim, todos os que de qualquer forma vão estar ligados ao evento.
Polêmica
Todavia a Associação Olímpica Britânica (BOA, sigla em inglês), ela mesma parte da organização dos jogos sendo a entidade responsável pelo credenciamento da imprensa local, pisou na contra-mão de toda essa euforia do público e dos organizadores em ter umas Olimpíadas centradas na diversidade e na inclusão, ao excluir alguns meios da chamada midia étnica com base no frágil argumento de uma intensa demanda para credenciamento da mídia de maior abrangência nacional.
O jornal ”The Voice”, por exemplo, a mais antiga publicação da imprensa negra londrina, só no início da passada semana recebeu os tão cobiçados passes de credenciamento para a cobertura dos eventos no Estádio Olímpico, depois de uma forte campanha em seu favor.
O caso tornou-se polêmico e escandaloso quando o jornal viu recusado o seu pedido para a obtenção de duas credenciais de acesso ao principal palco do evento. Como consolação a BOA ofereceu ao “The Voice” passes para a cobertura do torneio olímpico de futebol, o que o jornal declinou.
Por um lado, argumenta, por falta de interesse de um grande público naquele evento específico. Por outro, porque a sua reivindicação ao direito de acesso aos eventos no Estádio Olímpico baseava-se no fato que seria lá onde estaria quase 40% da equipe britânica de origem africana e caribenha, incluindo as estrelas do atletismo Phillips Idowu, Jessica Ennis e Christine Ohuruogu.
O caso tornou-se ainda mais polêmico quando foi revelado que o ”Jewish Chronicle”, uma publicação especializada como o ‘The Voice” mas com foco em assuntos da comunidade judaica, havia sido credenciado para o palco principal dos jogos.
O protesto contra a decisão inicial da BOA atraiu um largo apoio, entre outros, de leitores chocados, políticos, atletas negros, união nacional dos jornalistas e do prefeito de Londres, Boris Johnson. Até no nível diplomático o “The Voice’’ contou o apoio público de Aloun Assamba, o Alto Comissário da Jamaica. Em consequência a BOA foi levada a ceder a pressão e prevaleceu, assim, o bom senso.
O papel fundamental para o desfecho do polêmico caso foi, no entanto, jogado por Zita Holbourne, membro do comitê de relações raciais do Congresso Sindical (TUC, sigla em inglês), a maior federação de sindicatos de trabalhadores do Reino Unido. Foi ela quem lançou uma petição online que reuniu mais de 2.600 assinaturas pedindo que a BOA reconsiderasse a sua chocante decisão inicial.
Polêmicas à parte, a capital britânica vive em 2012 mais um momento de euforia coletiva com pessoas de todo o mundo se encontrando e celebrando as suas diversidades étnicas e culturais. Um ano realmente marcante de grandiosos eventos para a Grã-Bretanha, uma festa a somar às do casamento real entre príncipe William e Kate Middleton e ao jublileu de diamante, assinalando os 60 anos de reinado de Isabel II.
*O título original do artigo é “Londres 2012: a Festa da diversidade e da Inclusão”.

Alberto Castro