S. Paulo – A Secretária Nacional da Igualdade Racial (SEPPIR), desembargadora Luislinda Valois, pediu nesta segunda-feira (01/07), ao governador Geraldo Alckmin, apoio para que a participação dos jovens na formulação de novas estratégias de enfrentamento da violência urbana seja ampliada.

Segundo os dados do Mapa da Violência do Governo Federal, dois em cada três jovens entre 19 e 25 anos, vítimas de homicídios, são negros.

O encontro entre a secretária da SEPPIR e o governador aconteceu à tarde no Palácio dos Bandeirantes. Foi a primeira vez que um titular do órgão federal que trata da temática do racismo e da discriminação racial se encontrou com o governador de S. Paulo, Estado que tem a maior população negra do Brasil em números absolutos – cerca de 15 milhões de pretos e pardos.

A ausência de agendas se explica pelo fato de que a SEPPIR desde a sua criação em 2003, foi dirigida por militantes negros ligados ao PT e ao PC do B, e S. Paulo é, há 20 anos, governado por tucanos. Negros do PT e do PC do B também estiveram ausentes do encontro desta segunda-feira. Eles não reconhecem Luislinda por questionarem o Governo do interino Michel Temer a quem chamam de "golpista".

Juventude

A secretária expôs a Alckmin suas propostas à frente da SEPPIR e sugeriu ao Governo do Estado parcerias visando a implementação de políticas de promoção da igualdade racial no Estado. Um dos principais temas da conversa foi a situação da juventude negra, que é vítima costumeira da violência policial.

Alckmin apresentou a nova chefe da SEPPIR os dados que mostram redução de homicídios no Estado que, em junho deste ano atingiu o seu menor patamar na série histórica desde 2001: 8,9 homicídios para cada 100 habitantes.

O governador também falou da Lei 14.187/2010, que pune administrativa pessoas físicas e ou jurídicas que pratiquem atos discriminatórios em razão da raça ou da cor.

Segundo a nova titular da SEPPIR, é fundamental fortalecer políticas voltadas para os quilombolas, como ações de empreendedorismo étnico e a inclusão no currículo oficial de ensino da temática “História e Cultura-Afro brasileira e Indígena”. “Este é um trabalho não só de formação, mas de mudança de mentalidade. É preciso que o jovem conheça essa história que é, muitas vezes, a dele mesmo”, afirmou Luislinda.

Alckmin reforçou a disposição do Governo do Estado para trabalhar as questões de maneira aprofundada. “Temos um grande trabalho contra a intolerância religiosa, na questão dos quilombos e também das mulheres encarceradas”, finalizou o governador, que indicou os órgãos estaduais para aprofundar as parcerias com a secretaria federal.

Antes do encontro com o governador, a nova chefe da SEPPIR, foi recepcionada no auditório da Secretaria das Relações do Trabalho, na Rua Boa Vista, pelo Secretario da Justiça, Márcio Elias Rosa, e pela coordenadora de Políticas para as Populações Negra e Indígena do Estado, professora Elisa Lucas Rodrigues.

Quilombolas

Em relação à pauta quilombola, Luislinda Valois tratou sobre a situação de processos de titulação e posse de territórios quilombolas e pediu o apoio do Governador de São Paulo para o fortalecimento das organizações e do empreendedorismo étnico das comunidades quilombolas no estado.

Segundo a chefe da Coordenação de Políticas para as Populações Negra e Indígena do Estado, professora Elisa Lucas Rodrigues, Luislinda se mostrou receptiva a proposta de uma parceria visando dar continuidade ao programa de implementação da Lei 10.639/2003. O programa realizado entre os anos de 2004 e 2006, tornou o Estado pioneiro nesse tipo de iniciativa.

Nesse sentido, Elisa e Luislinda acertaram uma agenda em Brasília para a formalização de uma parceria entre a Coordenadoria e a SEPPIR. “A presença da Secretaria, garante o reconhecimento de nosso trabalho pelo Governo Federal” disse Elisa Lucas.

Da Redacao