Brasília – A Presidente eleita Dilma Rousseff formalizou a escolha da socióloga gaúcha radicada na Bahia, Luiza Helena Bairros para a Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR), pondo fim a especulações e a uma briga interna acirrada entre correntes de negros do PT e do PC do B, desde que o nome foi inicialmente cogitado.
Com a indicação de Bairros, Dilma completa a cota de negros na Esplanada, reduzida de quatro ministros e uma secretaria com status de Ministério no início do primeiro Governo Lula, em 2003, para um ministro e duas secretarias – Orlando Silva, nos Esportes, e Ideli Salvati, na Pesca, além da própria Luiza.
Em 2003, logo após a criação da SEPPIR em março, dos 34 ministérios – quatro eram ocupados por negros: Gilberto Gil, na Cultura, Marina Silva, no Meio Ambiente, Benedita da Silva, no Ministério da Assistência Social, e Orlando Silva, nos Esportes, além da SEPPIR ocupada por Matilde Ribeiro.
Levando em conta ministérios e secretarias com status de, a participação de negros no Governo foi reduzida de 11% sob o primeiro Governo Lula, para pouco mais de 2% agora. No caso das Secretarias – que, apesar de ter status de Ministério dispõem de orçamentos reduzidos – de pouco mais de 2% para cerca de 5%.
Disputa
A disputa interna em torno da SEPPIR que passou por reuniões e articulações frenéticas envolvendo lideranças da Coordenação Nacional de Entidades Negras (CONEN), corrente de negros ligados ao PT, e a UNEGRO (União de Negros pela Igualdade), corrente ligada ao PC do B, foi encerrada com uma Nota sucinta da Assessoria de Imprensa da Presidente:
“A presidenta eleita da República, Dilma Rousseff, convidou para sua equipe a atriz, cantora e compositora Ana de Hollanda, para o Ministério da Cultura; a economista Tereza Campello para a pasta do Desenvolvimento Social e a socióloga Luiza Helena de Bairros para a Secretaria Especial de Promoção da Igualdade Racial”.
Até a divulgação da Nota, foram muitas as especulações e as resistências. A socióloga, atual Secretaria da Promoção da Igualdade Racial (SEPROMI), da Bahia, e que assume a SEPPIR com o aval do governador Jacques Wagner, embora ligada ao PT, foi dirigente nacional do Movimento Negro Unificado – de onde saiu por volta de 1.994 – e pertence ainda ao grupo político do deputado federal Luiz Alberto (PT/BA), o único parlamentar que se opôs abertamente ao Estatuto da Igualdade Racial (Lei 12.228/2010), saudado pelo Governo como um legado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para a população negra brasileira.
A ascenção de Bairros rompe – pelo menos em tese – com a tradição mantida na SEPPIR desde que foi criada, em março de 2003: o controle de correntes organizadas de negros do PT e do PC do B, como aconteceu nas gestões da própria Matilde, do deputado federal do Rio, Edson Santos, e na do atual ministro – que substitui Santos, desde abril – Elói Ferreira de Araújo.

Da Redacao