Brasília – A ministra Gleisi Hoffmann, da Casa Civil da Presidência da República, ignorou, até o momento, o ofício enviado pela ministra chefe da SEPPIR, socióloga Luiza Bairros (foto), em que a mesma pede a exoneração da Secretaria de Políticas para Comunidades Tradicionais (SECOMT) Ivonete Carvalho.
Cargos de segundo escalão, como o ocupado por Ivonete (Direção e Assessoramento Superiores DAS-6 e de Natureza Especial) são de livre nomeação e exoneração, porém, quem tem o poder de fazê-lo é a ministra chefe da Casa Civil porque a SEPPIR, a exemplo do que acontece com outras Secretárias com status de ministério, está subordinada à Presidência da República.
O ofício saiu do gabinete de Bairros na terça-feira da semana passada, o dia em que Ivonete, que pertence ao Conselho Político do mandato do senador Paulo Paim e é liderança destacada do PT gaúcho, voltava ao trabalho após 30 dias de férias. Até a tarde desta terça-feira (07/02) a secretária continuava no cargo.
Cai não cai
A decisão da Casa Civil, segundo analistas ouvidos por Afropress, pode indicar que a ministra – ameaçada de deixar a Esplanada na reforma ministerial promovida pela Presidente Dilma Rousseff -, embora permaneça no cargo, já não tem voz ativa no comando da gestão.
Afropress apurou que a Secretária de Ações Afirmativas Anhamona de Brito, também teria tido sua exoneração pedida pela ministra, porém, a Casa Civil também não teria atendido ao pedido e o ato não foi publicado no Diário Oficial.
Férias
Anhamona está de férias desde o dia 02 deste mês e garantiu que, em outubro, já havia feito a entrega do cargo à ministra “por razões estritamente pessoais”. A posição foi reiterada em dezembro, segundo ela.
“Em outubro fiz a entrega do cargo a ministra por questões de ordem pessoal. Já tinha feito uma programação de férias para fevereiro. Em dezembro voltei a pedir prá sair e coloquei novamente o cargo à disposição. Como externei para a ministra, as razões do por que não pretendo continuar na SEPPIR são de ordem pessoal”, repetiu à Afropress, desmentindo versões que teria sido exonerada por telefone.
Incertezas
A posição da Casa Civil, de acordo com analistas, reflete o quadro de incertezas no qual Luiza Bairros para se manter no cargo, adotou a estratégia de exonerar peças chaves do segundo, escalão, manobra com que pretenderia atingir dois objetivos: jogar a responsabilidade pelos maus resultados da gestão – considerada fraca e apagada na Esplanada – sobre a equipe e abrir espaço para composições que permitam sua sobrevida no cargo.
Segundo fontes da Casa Civil, que falaram sob a condição de anonimato, a Presidente Dilma Rousseff já decidiu que a ministra não fica, porém, está com dificuldades em encontrar um nome.
De acordo com essa mesma fonte, Luiza só terá alguma chance de ficar por mais algum tempo se a Presidente não encontrar nomes com capacidade de articular os partidos da base – especialmente o PT, que foi alijado da atual gestão da SEPPIR – e amplos setores do Movimento Negro.
Essa hipótese passou a ser admitida, diante da posição do senador Paulo Paim, que deve fazer nos próximos dias o anúncio de que permanecerá no Senado, apesar de considerar honrosa a indicação feita pelo ex-presidente Lula que o queria como ministro da SEPPIR.
Para outra fonte, porém, o encontro da tendência Construindo o Novo Brasil (CNB) – a que pertencem as mais importantes lideranças negras como os ex-ministros Matilde Ribeiro, Edson Santos, Elói Ferreira de Araújo e Benedita da Silva – que começa nesta quarta em Brasília e se estenderá no próximo fim de semana deverá definir os rumos que o PT pretende para a SEPPIR e também um nome para substituir a atual ministra que atenda aos critérios adotados pela Presidente e acabe com a crise de gestão que paralisa a Secretaria da Igualdade Racial.

Da Redacao