Brasília – A ministra Matilde Ribeiro já está confirmada para continuar à frente da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir) neste segundo mandato do Presidente Luis Inácio Lula da Silva.
A Afropress apurou que a continuidade de Matilde no cargo deverá ser oficializada até a semana que vem quando Lula passará a tratar dos ocupantes dos cargos de segundo escalão no Ministério como as Secretarias da Presidência da República, como é o caso da Seppir e da Secretaria Especial de Mulheres.
Na semana passada Lula queixou-se a um governador aliado de que o PT não estava interessado nos cargos relacionados à bandeiras às quais estava historicamente ligado como a questão da igualdade racial, ao relatar as pressões para nomear a ex-prefeita Marta Suplicy para o Ministério das Cidades ou da Educação. A ex-prefeita acabou ficando com o Turismo.
Matilde foi designada ministra no primeiro mandato com a criação da Seppir em 21 de março de 2003, ainda no período de euforia de início de governo. A principal realização da sua gestão foi a 1ª Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial que, em julho de 2005, reuniu cerca de 1200 delegados de vários Estados em Brasília para discutir e aprovar o Plano de Promoção da Igualdade Racial. O Plano, que deveria se articular com os planos estaduais, no entanto, ainda não saiu do papel.
Durante o primeiro mandato com um orçamento muito aquém das necessidades (quase simbólico) a Seppir esteve, por pelo menos duas vezes, ameaçada de perder o status de ministério. Na primeira, quando estourou a crise do mensalão e Lula cogitou fazer uma reforma ministerial; e na segunda, mais recentemente, quando o presidente chegou a pensar em extingui-la, juntamente com a Secretaria das Mulheres e a Secretaria dos Direitos Humanos, unificando esses três órgãos num único ministério.
Quem é
Matilde Ribeiro é de Flórida Paulista, onde nasceu em 29 de julho de 1.960. É a segunda de seis filhas de dois casamentos do pai. Começou a trabalhar muito cedo cuidando de outras crianças, fazendo bicos em casas alheias e em pequenas mercearias.
Teve sua primeira carteira assinada aos 14 anos, tornando-se operária. “Guardo minha carteira de trabalho como relíquia, pois nela está inscrita uma história: operaria, recepcionista, auxiliar administrativa e assistente social”, costuma comentar.
Começou sua militância no Curso de Serviço Social da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de S. Paulo, onde também fez mestrado em Psicologia Social e doutorado em Serviço Social. Depois entrou no PT e no movimento negro e feminista.
Participou da elaboração do programa de governo de Lula para o combate ao racismo, em 2.002, e da equipe de transição presidencial. Antes disso, como assistente social, trabalhou em ONGs e no serviço público em São Paulo.

Da Redacao