S. Paulo – Apesar das divergências em relação a vários temas e da troca quase diária de acusações na campanha, os candidatos Luis Inácio Lula da Silva, do PT, e o tucano Geraldo Alckmin, do PSDB, tem acordo em relação a um ponto: segundo eles não há racismo no Brasil. A posição de ambos foi explicitada na resposta à pergunta feita pelo jornal Folha de S. Paulo “O sr. Considera o Brasil um país racista?”, publicada na edição desta quarta-feira, 18/10.

Veja as respostas dos candidatos:

Lula – O Brasil não é um país racista, mas infelizmente ainda há discriminação e preconceito racial entre nós. Em 506 anos de história, mais de três séculos e meio foram de escravidão. E os escravos, após a abolição realizada há apenas 118 anos, ficaram entregues à própria sorte. Tudo isso de alguma forma ficou entranhado na nossa cultura. Somos um país no qual a convivência étnica é harmoniosa e o respeito à diversidade cultural é um exemplo. Há, no entanto, muito por fazer. Por isso no início do nosso governo criamos a Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial com status de ministério, realizamos, em parceria com a sociedade civil, a 1ª Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial e promovemos ações afirmativas. No segundo mandato, vamos acelerar mais ainda a implementação do Plano Nacional de Promoção da Igualdade Racial.

Alckmin – O povo brasileiro não é racista. Até por ser resultado de uma grande miscigenação de povos, é destituído de preconceitos raciais e culturais. Apesar disso, há uma enorme desigualdade. Essa desigualdade tem raízes no regime escravocrata que vigorou no Brasil por quase três séculos e foi abolido sem que se seguissem providências para a inclusão dos negros na sociedade. Por isso no Brasil grande parte dos negros tem baixa escolaridade, baixos salários, mais dificuldade de acesso aos empregos e más condições de moradia. A integração e a igualdade têm de ser alcançadas por uma luta permanente. Nesta luta, é vital a educação e o fortalecimento da identidade negra. Como governador de São Paulo, entre outras ações, criei programa que já capacitou centenas de docentes para o ensino da história e cultura afro-brasileira na rede pública estadual.

A segunda pergunta feita pela Folha “o sr. Apoiará o projeto que prevê a adoção de cotas para negros nas universidades e no serviço público”, também foi respondida de maneira análoga. Lula diz que “as cotas devem beneficiar os mais pobres, tenham eles a cor branca, negra, amarela ou vermelha, de acordo com o peso de cada grupo social na população”. Alckmin afirma defender ações afirmativas, mas defende que não “devem eliminar o mérito”.

Veja as respostas:

Lula – Não se trata de defender cotas para negros ou índios. Trata-se de defender e aplicar ações afirmativas, inclusive cotas, sim, para a escola pública e universidades, objetivando acelerar a reparação de injustiças sociais que perduram há séculos. Essas cotas devem beneficiar os mais pobres, tenham eles a cor branca, negra, amarela ou vermelha, de acordo com o peso de cada grupo social na população. É o que estamos fazendo com o ProUni, por exemplo, que já concedeu 204 mil bolsas para que alunos de baixa renda pudessem entrar na universidade e tem cotas para afrodescendentes e índios. Uma crítica que surgiu em relação às cotas supõe que sua aplicação poderia trazer prejuízo acadêmico. Em 14 instituições federais de ensino superior onde aplicamos cotas para a escola pública são justamente alunos mais pobres que têm se destacado. Vamos ampliar essa política.

Alckmin – Sou favorável a ações afirmativas. Cota é um tipo de ação afirmativa. No governo de São Paulo eu criei a pontuação acrescida para alunos da escola pública e afro-brasileiros. Assim, sem eliminar o mérito, este sistema tem ajudado muito a ampliação do acesso à universidade.

Da Redacao