O Presidente Luis Inácio Lula da Silva, entregou sábado (23/10) o Museu Afro Brasil, que funcionará num pavilhão de quase 13 mil metros quadrados no Parque do Ibirapuera, em S. Paulo, em espaço cedido pelo Governo do Estado. Na solenidade que foi aberta com o hino nacional tocado em batida afro, o Presidente defendeu a adoção de um "pacote de cidadania" para a comunidade negra.

No palanque, entretanto, apesar da presença da Ministra da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial – SEPPIR – Matilde Ribeiro, e do próprio curador do Museu, o artista plástico Emanoel Araújo, os negros não tiveram a palavra. Nem os dois – as principais personalidades presentes.

O acervo do museu, doado por Araújo, contará conta 1,1 obras próprias que resgatam a riqueza da arte africana, bem como peças de cerâmica e esculturas e fotos que resgatam a história do povo negro no Brasil.

Durante o evento – tomado por militantes da campanha do PT à Prefeitura da Capital – militantes de grupos não ligados ao Partido – distribuíram um documento intitulado 'EM NOME DA HISTÓRIA', em que acusam o Governo Federal de tentar transformar "políticas públicas para a população negra em peças de marketing". (Leia artigos Diversidade na Universidade e O Estatuto da Igualdade e a Fome do Dragão).

O documento destaca ainda que os 5.641.178 milhões de negros da região metropolitana de S. Paulo continuam convivendo com o racismo e a exclusão social, materializados pela desvantagem em todos os indicadores sociais, especialmente o da inserção no Mercado de Trabalho, de acordo com o IBGE.

Estudo do Observatório Afro-Brasileiro, da UFRJ, realizado com base no Censo 2000 do IBGE, revela que dos 4.732.764 pessoas negras que vivem abaixo da linha de pobreza no Estado, 1.540.756 (32,6%) vivem na cidade de S. Paulo; e das 970.215 que vivem abaixo da linha de indigência, 594.633 (61,3%) vivem na região metropolitana, dos quais 294.561 (30,4%) na cidade de S. Paulo", acrescenta.

O documento termina conclamando a comunidade afrodescendente da cidade de S. Paulo, com ou sem partido, "a cerrar fileiras na defesa de políticas públicas nas áreas do Trabalho, Emprego, Educação, Saúde, Segurança, Cultura, Esporte, Lazer, Transporte, Habitação e Assistência Social". SERVIÇO: O Museu Afro funciona das 10 às 17 horas todos os dias, fechando às terças para limpeza e manutenção. Endereço: Parque do Ibirapuera (Av Pedro Álvares Cabral Antigo Pavilhão Manuel da Nóbrega Zona Sul) Portão 10 – Tel. (11) 59081721 A entrada é franca.

Da Redacao