O resultado deste segundo turno das eleições municipais no Brasil, poderia ser resumido assim: PT 0 x Outros 7. Eis a resposta mais eloquente e contundente do povo brasileiro a um partido que tornou-se imbatível no exercício da arrogância e da prepotência.

Mais do que os crimes em que seus dirigentes se envolveram; mais do que quebrar a Petrobrás, a principal empresa brasileira, com o maior escândalo de corrupção já registrado, o PT pretendeu se atribuiur o monopólio da verdade; seus dirigentes, ao invés da política, passaram a figurar com frequência jamais vista, o noticiário policial. Nunca se ouviu dos mesmos, uma única palavra de autocrítica. 

Veio o "mensalão", todos os envolvidos condenados há vários anos de prisão pelo Supremo Tribunal Federal, a mais alta Corte do país. Nenhuma mea-culpa. Ninguém esquece a imagem dos punhos esquerdos erguidos para as câmeras com que reagiram às prisões. Seguiu-se o "petrolão", e são estarrecedoras as provas do escândalo de corrupção já apuradas na Operação Lava Jato. A estratégia passou a ser vitimizar-se, alegando perseguição por parte das instituições da República.

Veio o impeachment, nenhuma palavra da "coração valente" Dilma Rousseff para reconhecer que, sim, foi de sua autoria e responsabilidade, levou as suas digitais o maior estelionato eleitoral da história das eleições brasileiras. 

Política econômica errática, empréstimos camaradas pelo BNDES a grandes grupos econômicos, com prazos de pagamento a perder de vista, gastança generalizada sem qualquer respeito a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) e o resultado está aí: estamos todos pagando o preço; a economia do país estagnada há 3 anos seguidos, a maior recessão econômica desde 1.929, 12 milhões de desempregados, uma crise econômica e política sem precedentes. 

Lula e o PT estão sempre certos. O mundo todo – ou seja, todos os que se recusam a repetir os mantras da seita em que esse partido se tornou – estão errados. Lula e o petismo jamais assumiram a responsabilidade pelo desastre. As notas para explicar os escândalos apurados pela Lava Jato são, invariavelmente, um monocórdico e repetitivo "blá", "blá", "blá"; tão repetitivo que todos já sabemos de cor o texto, inclusive, com as vírgulas.

O mantra do "golpe" – o álibi para justificar para dentro e para fora do país – a sucessão de crimes, passou a ser repetido por uma militância despolitizada e politicamente tosca e ignorante, sem qualquer conexão com o sentimento das ruas. A única resposta às graves acusações foi sempre o insulto, a pecha de "golpista", de "fascista", de "coxinha", lançada a quem se atreveu a enxergar o óbvio. Com essas práticas foram levando junto e afundando toda a esquerda brasileira.

Concretizado o impeachment por ampla maioria nas duas casas – Câmara e o Senado – o vice Temer passou ter contra si a acusação de "golpista", "usurpador", argumentos amplificados por uma rede suja de blogs e sites até há pouco patrocinados com generosas verbas oficiais. Mas, mas quem escolheu Temer prá vice por duas vezes? 

Subestimar e agredir de forma continuada e reiterada a inteligência das pessoas em um mundo conectado em rede tem um preço e o preço está aí: foi muito pior que o 7 a 1 do Brasil x Alemanha. Foi sete a zero. Onde o PT disputou, perdeu e perdeu feio.

É claro que estamos em um momento em que uma pauta conservadora ganhou hegemonia na sociedade, o que se refletiu nas eleições. Mas, quem esteve no poder no Brasil nos últimos 13 anos? Lula e o PT se comportam como se nada tivessem nada a ver com isso e não fôssem os principais responsáveis por jogar o país inteiro à direita, inclusive, as novas gerações.

A esquerda brasileira nunca esteve associada à corrupção. O PT tornou-se, não o partido dos grotões, porque nem lá o povo brasileiro o aceita.

É preciso refundar a esquerda brasileira, o pensamento de esquerda é fundamental no debate público e político, mas uma esquerda sintonizada com a modernidade, capaz de enxergar o futuro e pensar o Brasil, um dos países mais desiguais do mundo, a partir da ótica dos excluídos. Não esta "esquerda" pré-queda do Muro de Berlim; caquética, presa a algum lugar do passado, reacionária e retrógrada.

Lula e o PT perderam autoridade política e legitimidade moral para conduzir esse debate, muito menos hegemonizar o pensamento de esquerda no Brasil, não apenas pela traição a gerações e gerações de brasileiros, mas pelo exercício continuado, permanente e reiterado da arrogância e da prepotência, que foi sua marca registrada.

 

 

Dojival Vieira