S. Paulo – Militantes da CUT, Força Sindical, CGT, entidades do Movimento Negro e ativistas do Movimento Brasil Afirmativo, instalaram nesta segunda-feira, 11/09, das 10h às 16h, na Praça Ramos, no Centro de S. Paulo, um posto de coleta de assinaturas exigindo a aprovação imediata do Estatuto da Igualdade Racial e do PL 73/99, em tramitação no Congresso. Os dois projetos criam Ações Afirmativas para negros e indígenas, dentre as quais as Cotas. Em poucas horas cerca de 1.600 assinaram o Abaixo-Assinado.
“Onde é que eu assino?” perguntava uma senhora por volta das 12h, se aproximando da mesinha, instalada bem em frente ao Teatro Municipal. Enquanto isso dirigentes sindicais como Maria Aparecida Pinto, Levi da Hora, Cleonice Caetano e Neide Fonseca, respectivamente da CGT, Força Sindical e da CUT, se revezavam no microfone e distribuíam panfletos, sob a coordenação de Maria Izabel da Silva, da Coordenação Nacional contra a Discriminação Racial, da CUT.
Bem próximo, ativistas do Sindicato dos Comerciários e do Movimento Brasil Afirmativo, distribuíam o Manifesto “Por um Brasil sem discriminação e desigualdade”.
O Manifesto assinado pelo Movimento Brasil Afirmativo Afropress – Agência Afroétnica de Notícias, Instituto Sindical Interamericano pela Igualdade Racial (Inspir), Afubesp – Associação dos Funcionários do Banespa, CUT, nacional, CUT Nacional, CGT, Foca Sindical e Apeoesp, depois de lembrar os indicadores sócio-econômicos nos quais a população negra aparece sempre em desvantagem, faz um alerta: “O Brasil não pode mais viver com discriminação e desigualdade!”.
Entre outros dados lembra que “empregados negros ganham menos do que os brancos – até 50% menos – dependendo da região do Brasil”; que “há mais desemprego entre os negros do que entre os brancos nas várias regiões metropolitanas do país” e que “a expectativa de vida para os negros é, em média, seis anos menor que para os brancos”.
Entre as entidades que assinam o Manifesto também está o Núcleo da Consciência Negra da USP, o Centro Acadêmico Prof. Dr. Jarbas Vargas Nascimento – Unipalmares, o Sindsep e a ONG ABC sem Racismo.
O Manifesto exige a imediata votação dos projetos que tramitam, no caso do Estatuto, há mais de 10 anos, no Congresso. “A votação imediata desses projetos e a reparação dessa dívida é uma exigência de todos os que lutam por Liberdade, Justiça e Democracia, que não podem desistir enquanto a população negra continuar a ser alvo da odiosa discriminação e do racismo no seu cotidiano”.
Segundo Maria Isabel, a idéia é instalar outros pontos de coleta nos próximos dias pela cidade e chegar “a um milhão de assinaturas”. Depois de novembro, as assinaturas serão entregues em audiência aos Presidentes da República, da Câmara e do Senado Federal.
O professor Antonio Jacinto, do Movimento Brasil Afirmativo, considerou que o interesse das pessoas que procuravam a mesinha ou os ativistas munidos de prancheta superou as expectativas, e que o Movimento tende a crescer.
Jacinto disse que o Movimento Brasil Afirmativo propõe a união de todos negros e não negros que combatem o racismo e defendem um Brasil Afirmativo, independente de partidos e de governos e está convocando a população para a Parada Negra, em 20 de Novembro – Dia Nacional da Consciência Negra.
A CUT e as Centrais ainda não decidiram se particparão da Parada, mas já decidiram participar ativamente do processo de mobilização para a coleta de assinaturas não apenas em S. Paulo, mas em todo o país.

Da Redacao