Londres – Centenas de africanos e afrocaribenhos marcharam na última sexta-feira (1º de agosto), de Brixton – a culturalmente vibrante zona de forte influência afrocaribenha no sul de Londres – para fazer a entrega em Downing Street, residência oficial do primeiro-ministro britânico, David Cameron, de uma petição exigindo reparação por danos causados pela escravatura dos seus antepassados, informa o correspondente de Afropress no Reino Unido, Alberto Castro.

A iniciativa partiu do Movimento Rastafari e da NAPP, sigla em  inglês para o denominado Parlamento Nacional dos Povos Africanos, uma organização que tem como objetivo promover, preservar e proteger os interesses dos africanos domiciliados no Reino Unido.

A Marcha fez parte das celebrações pelo Dia da Emancipação (1º de agosto de 1.834), que é lembrado este mês na maioria das antigas colônias britânicas do Caribe, do centenário da UNIA-ACL, sigla em inglês para a Associação Universal do Melhoramento do Negro – Liga das Comunidades Africanas, organização pan-africana, fundada pelo jamaicano Marcus Mosiah Garvey, um dos mais importantes lutadores pelos direitos da África, dos africanos e dos afrodescendentes. A Liga foi fundada em 1º de agosto de 1.914.

Na petição entregue a Cameron, há uma proposta de que seja adotada algum tipo de compensação aos descendentes de escravos africanos, por parte do Estado britânico, incluindo-se a Monarquia, o Parlamento e o Governo, bem como se pede aos partidos a criação de uma Comissão de Inquérito pela Verdade, Justiça e Reparação.

“Não queremos ser sujeitos sem direitos ou cidadãos sem consideração. Educação sem justiça continua sendo escravatura”, dizia um cartaz. Outro citava Marcus Garvey: “Seja tão orgulhoso da tua raça hoje como os nossos pais o foram outrora. Temos uma história bonita e no futuro criaremos outra que vai espantar o mundo”. Um outro pedia: “Reparação, já. Jamais esqueceremos a escravidão e a colonização do nosso povo”.

Há quase dois séculos que a escravatura foi oficialmente abolida em todo o antigo Império Britânico. Em África e no Caribe, em particular, as enormes e mais variadas consequências de uma das mais opressivas e intoleráveis instituições da história da humanidade a serviço dos antigos poderes coloniais continuam a marcar negativamente a vida da maioria dos países e populações que tiveram milhões de seus antepassados capturados e escravizados.

Petição

A petição denuncia "o tratamento imoral e desumano infligido aos africanos pelos europeus", e "a mentalidade racista que alimentou o tráfico transatlântico dos séculos XV a XIX", "a falta de prestação de contas por parte dos responsáveis, confirmando o racismo em curso em prejuízo aos descendentes dos milhões de indivíduos que foram roubados de África".

A petição acrescenta que "hoje a descendência dos africanos roubados enfrenta a discriminação racial direta e indireta no seu cotidiano, o que resulta em pobreza, falta de educação, desemprego, prisões e problemas de saúde". "Os danos que tem sido praticados à Africa precisam ser tratados de forma estruturada e eficaz. O sangue, suor e lágricas dos nossos antepassados financiou a base econômica do Reio Unido. Por isso é justo e correto que reparações sejam feitas aos seus descendentes", sublinha o manifesto.

 

Da Redacao