Rio de Janeiro – Dois casos de discriminação registrados nos últimos três dias, no Rio, revelam que a face do racismo cordial brasileiro, nem sempre é tão cordata quanto tenta parecer. No primeiro, Bruce McGraw, um norte-americano, lutador de Jiu-Jítsu foi barrado na porta giratória da Agência do Banco Bradesco, do Recreio dos Bandeirantes.

No fim de semana, oito estudantes universitários negros terminaram a noite na 20º DP, na Vila Isabel, para registrar queixa contra a gerência do Restaurante Vila Inn. McGraw, que chegou ao Brasil na semana passada e, ontem, teve sua primeira aula de Português, à saída, acompanhou o professor Alan Costa, que é branco, até a agência do Bradesco na Avenida das Américas.

Costa passou normalmente pelo detector de metais com chaves e moedas. McGraw, que portava uma mochila onde carregava apenas livros e um quimono, foi barrado sucessivas vezes. ”Os seguranças foram racistas”, garante Alan. No Bradesco, a explicação é de que "McGraw não teria seguido as recomendações próprias para a situação”.

ANIVERSÁRIO

No sábado, oito universitários compareceram a Delegacia de Vila Izabel para registrar queixa contra o gerente do Restaurante Villa Inn, José Gomes da Silva. Allyne Andrade e Silva, que é cotista do Curso de Direito da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), disse que, na chegada, o grupo foi maltratado pelos garçons.

Elaine Ramos, aluna do Curso de Comunicação da PUC, contou que o gerente ignorou os insistentes chamados do grupo que pretendia reclamar dos serviços. “Depois da terceira tentativa, nós nos levantamos. Os seguranças então bloquearam a porta e começou a discussão. Nos chamaram de pretos quizumbeiros (arruaceiros) e aí chamamos a Polícia”, contou.

Na Delegacia, o policial de plantão se recusou a registrar o caso como injúria racial. Mesmo depois de chamados advogados, o caso acabou sendo registrado apenas como constrangimento ilegal pela autoridade de plantão. O delegado Renato Nunes, plantonista da noite, foi procurado pelo jornal O GLOBO, porém, não foi encontrado para explicar a recusa do registro do caso de racismo. No restaurante, o gerente negou: “Eles foram atendidos como todo mundo. Não os chamei de pretos quizumbeiros. Não sei dizer se alguém chamou”, concluiu.

Da Redacao