Porto Alegre – O Rio Grande do Sul e o Brasil amanheceram nesta manhã de domingo, 27 de janeiro, sob uma imensa tragédia: até o momento as autoridades da Defesa Civil do Estado já confirmaram 232 mortos e 131 feridos num incêndio na boate Kiss, em Santa Maria, cidade que fica a 290 Km de Porto Alegre, um dos maiores polos universitários do país e que se caracteriza pela presença de quilombos rurais. A maior parte dos mortos são jovens eram jovens universitários e morreram pisoteados e por asfixia.

Testemunhas relatam que, quando começou o incêndio, seguranças da boate teriam impedido as pessoas de sair por não terem pago a comanda. Segundo os Bombeiros só havia uma saída da boate Kiss e a licença da casa estava vencida. O número de mortos pode ser maior, nesta que é a segunda maior tragédia já registrada no Brasil. 

A jornalista gaúcha Vera Daisy Barcellos, da diretoria executiva do Sindicato dos Jornalistas do Rio Grande do Sul e colaboradora de Afropress faz um relato na primeira pessoa do sentimento da tragédia que se abateu sobre os gaúchos e sobre o país.

Leia, na íntegra:

Abri os olhos, olhei para a janela: céu azul e uma manhã ensolarada, tudo perfeito para um perfeito domingo em Porto Alegre (RS). Liguei de imediato a TV e fui bombardeada e definitivamente acordada com a notícia assustadora do incêndio ocorrido na madrugada deste domingo na boate Kiss, de Santa Maria, município da região central do Estado e distante 290 quilômetros da capital gaúcha, com o registro até agora de 232 mortos. A maioria das vítimas é de jovens e universitários. Autoridades estão com dificuldades de  fazer a identificação das mulheres porque, segundo informam muitas estavam sem bolsas.

A população gaúcha está em estado de choque e  de grande comoção. Vários eventos festivos, carnavalescos e esportivos estão sendo cancelado em solidariedade às vítimas e familiares. O Rio Grande do Sul está de luto. O Governador Tarso Genro já está em Santa Maria e a Presidenta Dilma cancelou os compromissos de sua viagem ao Chile e está de volta ao país e já desembarcou em Santa Maria para emprestar seu apoio às famílias.

Em sua manifestação pública na TV e tomada pela emoção Dilma Rousseff garantiu pronto apoio do Estado aos familiares enlutados e a exigência de esclarecimentos sobre as verdadeiras causas do incêndio.

Este incêndio na quinta maior cidade do Estado gaúcho em população [262.268 habitantes, de acordo com o Censo do IBGE 2010], está sendo apontado como a segunda maior tragédia com vítimas no Brasil. Ainda não se tem o número total de mortos. O número citado acima é de pessoas identificadas e que estão sendo veladas no Centro Esportivo de Santa Maria.

O primeiro maior incêndio ocorreu em 1961 num circo que se exibia na cidade de Niterói, Rio de Janeiro, com um total de 503 vítimas. Informes dos noticiários de emissoras de rádio e TVs dão conta que um grande número de jovens não está sendo identificado pela ausência de documentos. E informam também que muitos morreram asfixiados pela fumaça.

Segundo informações fornecidas em entrevista a uma emissora de TV pelo Comando dos Bombeiros de Santa Maria, o fogo começou devido a uma manobra de pirotecnia feita pelo vocalista da banda, que se apresentava na casa. O sinalizador que manipulava atingiu a espuma de revestimento do teto ocasionando o incêndio.

Ainda segundo os Bombeiros, a boate estava superlotada (com mais de duas mil pessoas), autorização de funcionamento vencida e sobreviventes falam que a segurança contratada impedia a saída tão logo o incêndio começou porque exigia a nota de pagamento. 

A imprensa ainda não deu, até o momento em que escrevo, nenhuma informação sobre os donos da boate, nem informou o nome do vocalista da banda que fez a manobra pirotécnica que resultou nesta imensa tragédia.

A partir de agora, abraço espaço no relato, para uma manifestação bem pessoal sobre boates. Não gosto, desde jovem, da arquitetura das boates. Não gosto deste formato caixão. Não gosto das paredes pretas, mórbidas, assustadoras. Não gosto destes espaços sem janelas abertas, porque o som precisa ser blindado, não gosto dos espaços apertados e pouco iluminados, enfim não gosto de boates e descobri o porquê: tenho medo! 

Porque em todas que conheci, vi saídas pequenas, apertadas, pouca sinalização de saídas e rotas alternativas para casos de emergência. Por outro lado, são casas noturnas que pedem mais e maior fiscalização.

A tragédia de Santa Maria não foi a primeira, mas poderá ser a última se houver uma maior preocupação com a segurança das pessoas e não só com a ganância por lucro.

 

Da Redacao