S. Paulo – Lideranças negras de S. Paulo, ligadas a Alternativa Negra para a Social Democracia (ANSD) – corrente política próxima aos tucanos, porém, não vinculada ao PSDB – se reuniram nesta sexta-feira (02/20) com o deputado tucano, Arnaldo Madeira, no seu escritório político, em Perdizes, para pedir que retire a assinatura do requerimento que pretende que seja votado pelo plenário da Câmara, o Projeto do Estatuto da Igualdade Racial (PL 6264/2005), quebrando o acordo feito na Comissão Especial da Câmara.
A reunião terminou no início da noite e os participantes admitiram que o resultado foi frustrante. Madeira, segundo eles, mostrou-se inflexível e disse que não retira as assinaturas, sob o argumento de que “o texto do Estatuto é muito ruim e precisa ser melhorado”. “Ele chegou a dizer que não sabia da existência dessa Comissão que analisa o Estatuto”, contou um dos participantes pedindo que o seu nome fosse mantido em sigilo.
Segundo um outro participante da reunião, o deputado tucano garantiu que não é contra ações afirmativas, mas que o texto do Estatuto precisa ser melhorado, daí a necessidade de sua apreciação pelo plenário, com a abertura do debate aos 513 deputados.
Por conta disso, adiantou que nem retira sua assinatura nem proporá aos demais parlamentares que o façam. “Nunca retiro minha assinatura de requerimentos. É princípio que mantenho”, teria enfatizado o parlamentar.
A proposta do grupo formado, segundo informações apuradas por Afropress, pelo ex-coordenador da CONE, Mário Cortez (foto), pela atual Maria Aparecida de Laia, pelo advogado Antonio Carlos Arruda, ligado ao Secretário de Relações Institucionais do Governo do Estado, José Henrique Reis Lobo, pelo carnavalesco Fernando Mestre Sala, pelo presidente do Tucanafro Municipal, Carlos Augusto, e por Rosângela Manoel – era demover Madeira da idéia de manter o requerimento.
“Todo mundo saiu decepcionado”, contou um dos participantes à Afropress, acrescentando que o próximo passo do grupo é ampliar a articulação e a pressão junto a outros parlamentares tucanos.
Além de Madeira, assinaram o requerimento, os deputados do PSDB paulista, Mendes Thames, Duarte Nogueira, Edson Aparecido, Emanuel Fernandes, Julio Semeghine e José Carlos Stangarlini.
A manutenção do requerimento de Madeira poderá obrigar o presidente da Câmara Michel Temer (PMDB-SP) a pautar o projeto para ser votado em plenário, quebrando o acordo feito entre as lideranças partidárias na Câmara e criando o risco de inviabilizar a votação do Estatuto pelo Senado, a tempo de o presidente Luis Inácio Lula da Silva, sancioná-lo em 20 de Novembro – Dia Nacional da Consciência Negra.
 

Da Redacao