S. Paulo – Em entrevista concedida a jornalista Talita Bedinelli, do Jornal Folha de S. Paulo, publicada na edição desta quinta-feira (29/04), a pedagoga Elza Pinheiro dos Santos, 62 anos, mãe do motoboy Eduardo Luis Pinheiro dos Santos, disse que o rapaz foi morto por ser negro.
O motoboy foi achado morto, após ser torturado no último dia 10 de abril, num quartel da PM na Zona Norte. Os policiais estão presos por decisão do Tribunal de Justiça Militar.
“Acho que, sem dúvida nenhuma, existe aí a questão da cor da pele. Existia outro negro lá (entre os quatro rapazes levados à delegacia), após a briga), talvez submisso. Sabemos que o nosso Brasil é preconceituoso. Já conseguiu alguns avanços. Mas o preconceito parece uma erva daninha que, se você não arrancar bem a raiz, ela brota. E brotou. Acho que teve preconceito”, afirmou dona Elza na entrevista, interrompida cinco vezes por crises de choro.
A mãe do motoboy disse que considerou “um gesto nobre” a carta do comandante-geral da PM, coronel Álvaro Batista Camilo, em que o oficial pede desculpas, treze dias após o crime. “De certa forma me conformou, mas é preciso que a Justiça seja feita. Agradeço ao coronel na certeza de que haverá Justiça”, acrescentou.
Saudade
Ela contou que não conseguido trabalhar, tem dormido pouco, e que tinha a sensação, nos primeiros dias de que Eduardo voltaria. “Agora eu já tenho momentos de clareza, que eu sei que ele não vai voltar. A saudade está aumentando. É como se ele tivesse ido para uma estação de trem e alguém tivesse contado para mim. Eu fui correndo para ver se o alcançava, para ele não ir. E cheguei e ele já tinha ido. E eu saí atrás, correndo. Até ele sumir e o trem ir embora e eu fiquei. Se pudesse, eu falava “não vai, me espere”. Seu eu pudesse, falava “não vá agora não”. Eu vou buscar a força de Deus. Só ele nos dá força. Só Ele nos levanta toda manhã”, acrescentou.
Dona Elza contou que a filha de Eduardo, que fez dois anos uma semana após sua morte, ainda não entende o que aconteceu. “Um dia eu ia levá-la para a escola e ela viu a moto e começou “papai, papai, papai”. Foi muito complicado. Meu filho estava guardando dinheiro para a festinha dela”.
Ela disse que já conseguiu perdoar os assassinos do filho “porque eu sou cristã”. “Mas, eu continou acreditando na Justiça dos h omens e primeiramente na Justiça divina”, concluiu.

Da Redacao