Campo Grande/MT – Depois de uma discussão banal com um tio da namorada, uma garota branca, com quem vinha se relacionando há algum, e de perguntar porque a família da moça era contra o namoro, Anderson da Silva Faria, 20 anos, negro, foi surpreendido com tiro disparado à queima roupa que o deixaria paraplégico se sobrevivesse.
O caso aconteceu no dia 29 de dezembro passado, às vésperas das festas de fim de ano. Anderson morreu na última segunda-feira, na Santa Casa de Campo Grande, Mato Grosso do Sul.
Dona Cleonice Rocha da Silva, dona de casa, moradora do Parque do Sol, periferia de Campo Grande, não tem dúvidas. “O tio da menina tinha dito que não queria que ela namorasse com um negro”, conta.
A revolta da família se estendeu pelo bairro e nesta sexta-feira (25/01), às 16h, os moradores farão uma manifestação de protesto em frente à padaria onde ocorreu o crime, que pertence ao tio da namorada do rapaz assassinado, para denunciar o caso e exigir Justiça. “A gente sempre sabia de crimes nessa região, mas agora foi com o meu filho, tenho de reagir”, acrescenta dona Cleonice.
Polícia
Além da Polícia, o caso também foi levado ao Centro de Defesa dos Direitos Humanos Marçal de Souza Tupã I. “Os crimes de racismo são dolorosos para as famílias e para toda a sociedade”, afirmou o presidente do CDDH, Paulo Ângelo Souza.
Ele admitiu que as denúncias de racismo tem crescido. Esta semana o ex-jogador de futebol Valdemar Ferreira Júnior procurou o Centro indignado com o tratamento que recebeu após ter a casa roubada, no bairro Monte Castelo. Segundo Valdemar, ao chegar na casa, o funcionário da seguradora chamado para registrar o crime, não se conteve.
“Ele virou para mim e disse que era impossível eu ter na minha casa tudo aquilo que tinha declarado. Eu perguntei qual o motivo e ele disse que eu sabia, olhando para mim da cabeça aos pés”, conta o ex- jogador, que perdeu para os ladrões eletrodomésticos e equipamentos de som e TV. “Não é porque sou negro que não tenho o direito de ter tudo isso na minha casa. É um absurdo. Agora exijo providências e punição para esse povo racista”, denuncia.

Da Redacao