Salvador/BA – Stella de Azevedo dos Santos, a Mãe Stella de Oxóssi, enfermeira de formação se tornou na noite desta quinta-feira (12/09), a primeira mulher negra a se tornar imortal pela Academia de Letras da Bahia (ALB).

Ela assumiu a cadeira 33 da Academia, que tem como patrono o poeta, escritor e abolicionista baiano Castro Alves, considerado o poeta dos escravos, autor do poema “O Navio Negreiro”, um clássico da poesia brasileira.

No discurso de posse, lido pelo acadêmico Carlos Capinam, em virtude da iaolorixá ter 88 anos disse. "Muitas pessoas lutaram para que eu pudesse ocupar esta cadeira. Entre elas. o patrono, que em vozes da África, clamou por nós. Se minha bisavó chegou ao Brasil presa a muitos outros negros africanos, hoje aqui me encontro acorrentada por um adorno que me une a todos os baianos, brasileiros e humanos. Letrados ou não letrados. O poeta dos escravos desejava ver todos os homens tratados com igualdade de condições. Por isso escreveu um dos mais conhecidos poemas da literautra brasileira, 'O Navio Negreiro'", afirmou.

Mãe Stella, em outro trecho, reiterou o compromisso de continuar lutando por igualdade. "Sigo esforçando-me para que a religião trazida pelo povo africano ao Brasil seja devidamente respeitada. Afinal, sabedoria não tem cor e não pertence a nenhuma raça específica", enfatizou.

A primeira Mãe de Santo a entrar na Academia é formada pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) pertence ao terreiro Ilê Axé Opó Afonjá, fundado em 1.910 em S. Gonçalo do Retiro, no bairro do Cabula.

Ela tem seis livros publicados sobre a temática da religião de matriz africana, dois títulos de Doutor Honoris Causa que lhe foram concedidos pela UFBA e pela Universidade do Estado da Bahia (UNEB).

O governador Jacques Wagner, do PT, e o prefeito de Salvador, ACM Neto participaram da cerimônia de posse de Mãe Stella.

 

Da Redacao