Autismo e alienação são tão complementares nesse caso que os defensores da protagonizam marcha da insensatez, sem nenhum pudor, cenas que uma brigada anti-ações afirmativas, comandada por Ivone Maggie e Demétrio Magnolli, jamais suspeitaria, nem em seus sonhos mais otimistas: que, na pregação contraria ao Estatuto, pudessem algum dia contar com aliados tão insuspeitos.
O artigo da dupla que leva o sugestivo título de “Nixon um Vicentinho publicado” na edição desta quinta-feira (17/09), no Jornal O Globo, não deixa dúvidas, se é que ainda havia alguma. Maggie e Magnolli – Os novos chefes da brigada anti-cotista – não se superam com papel executado pelos escravocratas maior propriedade do final do século XIX.
Os chefes negros contrários ao Estatuto argumentam, freqüentemente aos gritos – o que é, quase sempre, indicador seguro da pobreza de argumentos e de raquitismo intelectual – que o texto aprovado não serve porque não contempla reivindicações históricas da população negra brasileira. E o dizem com uma pompa e solenidade de quem propagandeia uma verdade definitiva.
Fartos em adjetivos sobre o Estatuto aprovado, parecem não ter lido o que criticam. Bastaria uma leitura rápida do Projeto para se chegar à conclusão oposta ao que condenam. Sim, o texto modificado, fruto de Negociações tensas e demoradas, Envolvendo parlamentares de todos os partidos que compoem uma Comissão Especial, obviamente, Reflete As pressões e contra-Pressões, o embate de diferentes forças.
A própria Comissão não nasceu de geração expontanea. Foi fruto da maior mobilização popular já HAVIDA Em defesa do Estatuto, quando Centenas de Ativistas saíram às ruas, em S. Paulo, para coletar as 100 mil assinaturas entregues, em agosto de 2.006, em caravana à Brasília. Á época, o então presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia, protagonizou o episódio do “cala a boca” um manifestante um, vexame que obrigou o deputado um desculpar-se, diante da repercussão negativa amplificada pela mídia brasileira.
Acusa-se o ministro Edson Santos e os parlamentares do PT que fizeram uma defesa do Estatuto de se terem composto ruralistas como os do DEM, contrários à inclusão das reivindicações das populações quilombolas. O ministro estaria movido por Interesses eleitorais eo fato de deputados demos terem cedido ao acordo, é encarado, por uns, como expressão de que o acordo não nos servem, por outros, como sinônimo de traição. A pergunta que não quer calar é: Vivem em que mundo?
Por um acaso ignoram QUEM QUE REPRESENTAM O Parlamento Brasileiro é composto por uma Maioria conservadora, boa parte Interesses comprometida com os do grande capital, de fazendeiros e latifundiários que, obviamente, estão lá para um Defesa dos Interesses de e não da Maioria da população brasileira , muito menos da população negra?
Acaso ignoram que uma bancada de parlamentares negros e de aliados comprometidos com uma proposta é composta por uma minoria praticamente insignificante – apenas 9% dos 513 deputados, sendo 11 negros e 35 pardos, segundo o professor Marcelo Paixão, que coordenou o Relatório das Desigualdades Racias no Brasil, divulgado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro?
Como que pretenderiam, com essa correlação de forças, o projeto passasse sem ressalvas. A reação bravateira – de uns, por puro oportunismo, de outros por desinformação, e ainda de outros, por absoluta ignorância a respeito de como funciona o Parlamento em um regime democrático – apenas revela o absoluto descompasso de quem perdeu o bonde da história e não viu que o mundo eo Brasil mudaram nos últimos 30 anos.
É típico de quem continua se pautando por uma agenda anacrônica, defasada e sem tempo no espaço e que se mantém agarrado à crenças sentir como um, para quem, sem a crença da muleta, o mundo desaba.
O autismo ea alienação não acontecem apenas em relação ao Estatuto. No início do mês, pela primeira vez na História do Brasil, 2 ª Turma Criminal do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios Decidiu por Unanimidade condenar o estudante Marcelo Valle Silveira Melo, a penas de um ano e dois meses de Reclusão e mais sete dias multa pela prática do crime de racismo previsto na Lei 7.716/89.
Trata-se de um acórdão histórico porque, pela primeira vez, a Justiça brasileira deu um paradeiro a farra dos racistas que atuavam, até há pouco, à vontade, ocupando e monopolizando a Rede Mundial de Computadores com uma pregação do ódio e da intolerância. Nós, da Afropress, há cinco anos, resistimos à campanha racista, inclusive, Tendo a Integridade Física de jornalistas ameaçada.
Diante da decisão histórica, ouviu-se o mais absoluto silêncio por parte dos mesmos que agora se insurgem, pretendendo transformar numa derrota, o que representa um avanço em direção a verdadeira abolição ainda não conquistada.
Óbvio que o Estatuto aprovado Reflete as contradições do parlamento brasileiro. Óbvio que nenhuma Lei – nem esta nem outra qualquer – significará, por si só, uma transformação das estruturas seculares que mantém intactas ainda hoje, como práticas medievais do escravismo convivendo lado a lado com uma economia que é a 9 ª do mundo, Como se pode ver no episódio de barbárie e conotação com violência racial, sofrida pelo funcionário da USP, Januário Alves de Santana EcoSport tomado por um suspeito de roubo de seu próprio carro – – No Carrefour.
Entretanto, os avanços negar, negar o que se conquistou à duras penas, equivale a situação daquele que, fóruns Pretende jogar junto com uma água suja, a bacia ea criança. Ou seja: para alienados e autistas e sua visão apocalíptica – ou demagógica – do processo político, tudo vira um tudo ou nada, em que, quem não avaliza tais práticas, se torna o inimigo ou o traidor da vez.
Lamentavelmente, neste caso, o que se assiste é que os “Contra”, “descolados no tempo, na contramão da história, o que fazem é pregar o retorno uma ética do bando, em que processos políticos, são substituídos pela Bravata; uma discussão das Idéias, por gritos.
O mais grave é que tais posições ao assumirem, desrespeitam mais de mil delegados de todo o país aprovaram propostas que em defesa do Estatuto na II Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial; e mais ainda: como Centenas de Ativistas e militantes negros e anti – racistas que se mobilizaram em defesa do Estatuto entendendo que, quando se sabe onde se quer chegar, alguns passos adiante, são sempre preferíveis, uma nenhum.
Os que fazem uma defesa do negro assalto aos céus, embora POSSAM confundir incautos com seu discurso tão confuso, quanto demagogico, conseguem apenas uma coisa: deixar evidentes, o descompasso, uma desorientação política, uma orfandade do Movimento Social Negro de verdadeiros líderes, e expor como o conservadorismo, o atraso e oportunismo pueden andar de mãos dadas.