S. Paulo Pelo menos 90,7% dos candidatos a pais adotivos preferem meninas brancas, com menos de 2 anos de idade, segundo dados do Conselho Nacional de Justiça, divulgados nesta terça-feira (25/05) – Dia Nacional da Adoção.
De acordo com o levantamento do Conselho, das 1.436 crianças disponíveis para adoção em S. Paulo, apenas 3% estão na faixa até 3 anos. Os bebês representam 0,22% e a maioria tem irmãos para serem adotados junto ou problema de saúde.
Para o desembargador Antonio Carlos Malheiros, coordenador das Varas de Infância e Juventude do Tribunal de Justiça de S. Paulo, a situação já foi pior. “A maioria das crianças colocadas para adoção tem mais de 5 anos, são meninos, negros, tem irmãos ou defeitos físicos. E em abrigos há ainda muitos outros, com perfil idêntico, aguardando a verificação de destituição do poder dos pais”, diz Malheiros.
Ele acrescenta que, ao contrário dos casais brasileiros, os estrangeiros fzem pouquíssimas exigências. “Eles adotam grupos de irmãos, crianças de qualquer sexo, idade, com defeitos físicos, problemas de saúde, doenças mentais e nem mencionam cor de pele.”
O desembargador disse que outra exigência que frequentemente é apresentada diz respeito a crianças que sofreram algum tipo de violência. principalmente sexual. “Muitos acham que isso poderá trazer problemas futuros, como se tivéssemos uma chave de controle para impedir que acontecesse algo semelhante a um filho biológico.”
O processo de adoção leva, em média, dois anos para que candidatos a pais possam ser bem examinados. Isso evita que ocorram casos como o da procuradora aposentada Vera Lúcia Gomes, que está presa, acusada de torturar a filha adotiva de 2 anos. “Ela é maluca. Obteve a guarda provisória por preencher os requisitos”, diz Malheiros.

Da Redacao