Rio – Três de cada quatro trabalhadores submetidos a situações análogas à escravidão são negros (pretos ou pardos), segundo estudo do professor Marcelo Paixão, da Universidade Federal do Rio de Janeiro. O estudo foi elaborado a partir do cadastro de beneficiados pelo Programa Bolsa Família, do Governo Federal.
São consideradas situações análogas à escravidão pessoas trabalhando em situações degradantes, com jornada exaustiva, dívidas com o empregador que o impedem de largar o posto e correndo risco de serem mortas.
Segundo o Estudo, pretos e pardos representam 73% de trabalhadores nessa condição, apesar de representarem 51% da população brasileira. O estudo utilizou como critério, o mesmo usado pelo IBGE, a autodeclaração, a partir das cinco opções disponíveis – preto, pardo, amarelo, indígena e branco.
Paixão disse que o estudo demonstra que a cor do escravo de ontem se reproduz nos dias de hoje. “Os negros e índios, escravos do passado, continuam sendo alvo de situações em que são obrigados a trabalhar sem direito ao próprio salário. É como se a escravidão se mantivesse como memória”, acrescentou.
De acordo com estudos do IBGE, pretos e pardos também representam a maioria da população mais pobre: eles são 74% entre os 10% mais pobres.
Paixão frisou que ainda que hoje a cor não seja o único fator a determinar que um trabalhador esteja numa condição análoga à escravidão, a conclusão do estudo não deixa dúvidas: ser preto e pardo no Brasil eleva – e muito – a possibilidade de equivalência à condição de escravo.

Da Redacao