S. Paulo – A maioria dos “suspeitos” mortos na revanche da polícia aos ataques do Primeiro Comando da Capital (PCC), entre os dias 12 e 19 deste mês, é negra, conforme demonstram os Boletins de Ocorrência registrados pela própria Policia.
Entre os 71 suspeitos em que os Boletins trazem informações sobre a cor, nada menos que 45, ou seja 63%, são homens negros e pardos. No total a Polícia matou 109 “suspeitos”, em circunstâncias e locais não esclarecidos, quase o mesmo tanto dos mortos no massacre do Carandiru, em outubro de 1.992.
O Secretário de Segurança, Saulo de Castro Abreu recusa-se, até o momento, a fornecer a lista com os nomes dos mortos, alegando que isso “atrapalharia as investigações”. O Procurador geral de Justiça do Estado, Rodrigo Pinho, deu prazo de 72 horas que termina nesta quinta-feira, com o caráter “de uma ordem” para que a lista seja apresentada, sob pena da instauração do inquérito contra o secretário por crime de desobediência.
Além de negros, na sua maioria, levantamento feito pelo jornal Folha de S. Paulo, revela outro dado que demonstra que, na revanche, a Polícia resolveu decretar a pena de morte por conta própria contra “suspeitos”: 26% dos civis mortos não tinham antecedentes criminais.
O delegado aposentado Roberto Maurício Genofre, ex-corregedor da Polícia Civil de S. Paulo e ex-professor da Academia de Polícia, disse que os dados sobre antecedentes não podem ser usados para legitimar a ação da polícia: “Ninguém pode ser morto só porque tem antecedente criminal. Uma pessoa que tenha passagem pela polícia pode não ter envolvimento com o crime. E uma pessoa sem ficha criminal talvez não seja inocente. O antecedente criminal é apenas um indicativo, uma hipótese”, conclui.

Da Redacao