Tanto estardalhaço a SEPPIR fez, mesmo antes da estreia do seriado “O Sexo e as Negas”, pareceu-nos até que essa sucursal de coisa nenhuma realmente tem alguma verdadeira proposta e objetiva representatividade diante da causa negra.

Racismo nas redes sociais; nos campos de futebol; nas universidades; nas escolas públicas e particulares; nos hospitais públicos e particulares; exclusão do negro nas campanhas publicitárias das estatais, e não se vê nenhuma atitude concreta da SEPPIR para combater essa prática hedionda. Agora, um seriado da Rede Globo, de autoria do Miguel Falabella, que dá mídia, essas sanguessugas da raça surgem das sombras e mostram suas entranhas.

Há décadas atores e atrizes negras vêm numa luta fatídica e cruel para tentar um espaço nas novelas, séries e minisséries das emissoras televisivas do país. Quando a porta se abre, surge a Secretaria de Políticas da Promoção da Igualdade Racialdita SEPPIR, que deveria estar engajado na luta desses artistas, e age na contramão.

Mover processo contra a Globo por estar abrindo porta de mercado de trabalho para as atrizes e os atores negros, que desta vez são protagonistas, é de uma incoerência sem precedentes. É querer aparecer.

Vestindo a capa da salvação da raça, a SUPPIR chama a atenção para racismo aonde não existe racismo. E o pior: lança sobre a mulher negra a imagem de "virgem pura". É como se o sexo fosse restrito às mulheres brancas; para as mulheres negras o sexo tem que ser visto como um tabu. Minhas duas filhas são negras, namoram, transam e não perdem a dignidade por isso.

A SEPPIR, que nunca faz nada de objetivo e concreto pela causa negra – a não ser promover fóruns, encontros e debates que não dão em coisa alguma – perdeu uma excelente oportunidade de ficar calada.

Está na hora de nós, cidadãs e cidadãos negros, nos manifestarmos contra essas ações desastrosas de órgãos públicos, que usam falsas bandeiras de defesa das raça negra, com o único propósito de promover ações de interesses próprios e do governos aos quais são subordinados.

Que baita falta do que fazer! Que mico! Que grande circo! Que medíocre Show!

 

Flávio Leandro