Cuiabá/MS – O menino Quieber Silva Barros, da Nação Caiuá, de um ano e seis meses, morreu na última segunda-feira (15/12) na Casa de Saúde Indígena de amambai – a 351 Km de Campo Grande, Mato Grosso, com um quadro de anemia e desnutrição. Desde fevereiro deste ano, esta é a segunda criança indígena a morrer de fome em Mato Grosso do Sul.
Nascido em maio do ano passado, o menino vivia com os pais e nove irmãos no Acampamento indígena Kurusu Ambá, uma comunidade de 81 pessoas na fronteira com o Paraguai. Na comunidade, não água encanada nem espaço para plantio. A única alimentação disponível é fornecida a cada 15 dias pela FUNAI – uma cesta de 22 quilos por família.
A criança foi internada pela primeira vez em maio, já com diagnóstico de anemia, desidratação e problemas respiratórios. Em julho, o menino apresentou os mesmos sintomas e ficou três meses internado. Depois que voltou à Aldeia, em 13 de novembro passado, voltou a perder peso rapidamente – quase dois quilos em pouco mais de 15 dias. Transferido no domingo para o Hospital Regional de Amambaí, não resistiu.
A Coordençaão Regional da Funasa, que responde pela atenção básica à saúde nas aldeias sustenta, no entanto, que o estado nutricional do menino foi uma “causa associada”, mas que sua morte ocorreu em decorrência de pneumonia, que é o que consta na declaração de óbito.
“Essa criança vinha sendo atendida, acompanhada e, com toda a certeza, não morreu de desnutrição”, garantiu o coordenador regional da Funasa Flávio da Costa Britto Netto.
Também em Nota, após a confirmação da morte da criança, o Conselho Indigenista Missionário (CIMI), disse que a “a fome assola” o acompanhamento e que outras quatro crianças correm risco de morrer pela mesma causa”. “Várias outras crianças já morreram por outros tipos de complicações relacionadas à alimentação e saúde no mesmom lugar”, diz o CIMI.
No ano passado, mais de uma dezena de crianças indígenas de diferentes Nações morreram de fome, em Dourados.

Da Redacao