Campinas/SP – Uma criança negra de apenas 11 anos é a mais recente vítima de violências praticadas por seguranças do Hipermercados Extra, do Grupo Pão de Açúcar, pertencente ao empresário Abílio Diniz. O garoto – cujo nome não pode ser revelado – foi espancado por um segurança da unidade Abolição do Extra de Campinas na tarde deste sábado, dia 30, e sofreu ferimentos no olho e no nariz.
O caso lembra o ocorrido na unidade do Extra da Marginal do Tietê, em S. Paulo, em janeiro passado, quando três crianças foram levadas para uma sala, obrigadas a tirar a roupa e ameaçadas de agressão. Enquanto recebiam ameaças eram chamados de “negrinhos sujos e negrinhos fedidos”. Os três, hoje com 11, 13 e 14 anos, respectivamente, são negros.
O Pão de Açúcar indenizou a família de um dos menores, pagando R$ 260 mil em acordo extra judicial, porém, resiste a negociar com as dos outros dois.
Agressão covarde
O garoto contou que foi ao hipermercado para comprar carne para a avó e que foi abordado já no estacionamento pelo segurança, que o agrediu a socos. A mãe da criança, a faxineira Milena Alves Dutra, ficou sabendo do ocorrido depois de receber ligação de uma amiga. (Na foto a camisa que usava com as marcas de sangue).
A agressão foi presenciada por clientes que estavam na hora no supermercado e monstraram indignação com a covardia. “Eu estava saindo com a minha esposa, aí vi a criança realmente toda ensanguentada. Tava com um irmãozinho dele menor agarrado no pescoço, os dois chorando bastante”, contou o analista de sistemas Josean Siqueira.
Segundo o funcionário público Vanderlei da Costa, que também testemunhou o ocorrido, o segurança demonstrou frieza mesmo vendo a criança com o nariz ensanguentado. “Ele ficou ali, batendo no peito e dizendo ainda que era regra da empresa bater nas crianças e que bateria quantas vezes fosse preciso”, acrescentou Costa.
Polícia omissa
Uma viatura da Polícia Militar compareceu ao local, porém, fez vistas grossas à agressão, mesmo vendo o menino sangrando.
“Os policiais chegaram, totalmente despreparados. Pegaram o agressor, deixaram de lado, conversaram com ele, e conversaram com a criança e mandaram a criança embora”, contou o monitor Rafael Almeida, que testemunhou a chegada da viatura e a abordagem feita ao agressor.
Neste domingo (31/07) a mãe da criança compareceu ao 5º DP de Campinas para fazer o registro da Ocorrência, porque os policiais não haviam tomado essa providência, alegando que o garoto teria negado a agressão.
O Extra disse ter pedido esclarecimentos a direção da empresa terceirizada responsável pelo estacionamento e que vai tomar as providências. A Assessoria de Imprensa informou já ter pedido o afastamento do segurança da loja.

Da Redacao