Florianópolis – O Conselho Universitário da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) vota, nesta terça-feira, a proposta de cotas para negros na Universidade. A proposta a ser encaminhada pela professora Viviane Heberle (foto), diretora do Centro de Comunicação e Expressão, relatora do processo, propõe a adoção de cotas de 20% para alunos oriundos da escola pública, 10% para negros, sendo que 5% devem ser obrigatoriamente de escolas públicas. A proposta também contempla a população indígena reservando a partir do vestibular de 2008 5 vagas, número crescente até chegar a 10 vagas.
A proposta inicialmente era de 20% de cotas também para negros, porém, a relatora da Comissão para Acesso com Diversidade Sócio-Econômica e Étnico-Racial, decidiu reduzir o percentual. Em Santa Catarina, os negros correspondem a 10,4% da população do Estado, formado majoritariamente por imigrantes, especialmente, alemães e italianos. Além de Heberle, pelo menos outros três diretores de Centros da Universidade já se manifestaram favoráveis.
A reunião começa às 9h e será dirigida pelo reitor e presidente do Conselho Universitário, professor Lúcio Botelho.
O professor Marcelo Marcelo Tragtenberg, da Física, favorável às cotas, está otimista quanto à aprovação. “Não é impossível agente ganhar com dois terços dos votos. Vai depender muito da discussão. O Conselho é composto por 56 integrantes, dos vários departamentos, sendo que 40 tem presença confirmada.
Se o Conselho da UFSC aprovar esta será a segunda Universidade Federal, no sul, a em menos de 30 dias, a adotar cotas para negros e indígenas. No final do mês passado, a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) também adotou a medida.
Até o momento são mais de 40 as Universidades Federais e Estaduais que já adotaram ações afirmativas, boa parte delas, cotas para negros e indígenas como medidas de reparação às desvantagens da população negra, por conta dos 350 anos de escravismo e dos 119 de racismo.

Da Redacao