S. Paulo – O sindicalista e metalúrgico, Luiz Carlos Prates, o Mancha, 54 anos, do PSTU (Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado), é o único negro entre os nove candidatos que disputam o governo do Estado. S. Paulo é o Estado com maior população negra do Brasil, com cerca de 13,6 milhões de afro-brasileiros, de acordo com dados da Fundação Seade.
A própria Seade informa que 31% da população paulista de 42.262.221 é preta ou parda, ou seja, negra.
Sem pontuar nas pesquisas de intenção de voto, dos principais institutos, Mancha levou ao horário eleitoral gratuito a denúncia do racismo e fez a defesa das cotas como medida para combater a desigualdade.
Segundo ele, o objetivo da candidatura é “apresentar aos trabalhadores, à juventude e aos ativistas dos movimentos sociais uma alternativa de esquerda e socialista”. “Nosso objetivo é fazer um governo dos – e para os – trabalhadores”, conclui.
Veja, na íntegra, a entrevista do candidato do PSTU ao Governo de S. Paulo.
Afropress – Por que é candidato à governador de S. Paulo e quais são suas principais propostas se eleito?
Mancha – Apresentar aos trabalhadores, à juventude e aos ativistas dos movimentos sociais uma alternativa de esquerda e socialista. Nosso objetivo é fazer um governo dos – e para os – trabalhadores.
Afropress – Como acompanhou o debate sobre o Estatuto da Igualdade Racial aprovado e qual a sua posição a respeito?
Mancha – Como dirigente sindical, militante socialista e negro; acompanhei a elaboração do Estatuto da Igualdade Racial na esperança de que significasse uma conquista dos negros e dos movimentos de combate a opressão – o racismo em particular.
A minha opinião é que o Estatuto se parece demais com a Lei Maria da Penha, é apenas uma declaração a praça, uma lei formalmente bonita, pomposa e elegante, mas que não tem papel efetivo – o caso Elisa Samudio é um trágico exemplo do que digo.
O Estatuto não contempla as principais reivindicações do povo negro, como é o caso das cotas étnicas nas universidades públicas. Infelizmente os negros, e todos os movimentos anti-opressão, estão sendo vítimas de uma política demagógica do governo do PT.
Afropress – Qual a sua posição em relação às cotas e ações afirmativas e se considera necessário o aperfeiçoamento do Estatuto aprovado e recém-sancionado pelo Presidente da República?
Mancha – Sou a favor das cotas como medida paliativa e emergencial para combater o racismo e a discriminação contra os negros; mas defendo, ao contrário do que faz o governo Lula, que as cotas devem refletir a real porcentagem ou proporção de negros na sociedade – não apenas uma amostragem de minorias como tem sido feito até agora.
Afropress – Como se posiciona em relação aos assassinatos de jovens negros na cidade de S. Paulo, que ganharam a mídia com a morte dos dois motoboys e mais do ajudante de pedreiro Cristiano da Silva, nas mãos da Polícia Militar?
Mancha – São uma demonstração inequívoca do caráter de classe e racista da repressão policial; a polícia é uma instituição a serviço do capital e dos capitalistas.
É necessária uma segurança pública voltada para a defesa da vida e das pessoas; a unificação e desmilitarização das polícias, bem como colocá-las sob o controle da população através dos Conselhos Populares.
Afropress – Fale um pouco de sua trajetória pessoal e política e na importância da eleição de candidatos negros e anti-racistas nestas eleições.
Mancha – Sou um trabalhador metalúrgico, militante socialista e contra a opressão; como disse Malcom X “não existe capitalismo sem racismo”.
A luta dos negros contra o racismo, das mulheres contra o machismo e de todos os demais movimentos anti-opressão, é parte da luta dos trabalhadores, da juventude e dos movimentos sociais contra a exploração capitalista e pelo Socialismo.
Afropress – Faça as considerações que julgar pertinentes.
Mancha – PSDB não dá mais, PT e PV não são alternativa ao tucanato, pois defendem a aplicam no governo federal – onde estavam juntos até pouco antes destas eleições – a mesma política neoliberal.
O PSTU é a única alternativa de esquerda e socialista, que representa a independência de classe dos trabalhadores nesta eleição. Vote 16, vote PSTU.

Da Redacao