Brasília – O mandato do senador Demóstenes Torres, do DEM-Goiás (foto), envolvido com o bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, acusado de controlar a máfia dos caça-níqueis e de corromper policiais e políticos em Goiás, está por um fio, segundo analistas políticos de Brasília.

Demóstenes tornou-se, durante o seu mandato iniciado em 2003, o mais virulento opositor da adoção de cotas para negros e indígenas no acesso ao Ensino Superior Ele teve atuação destacada nas negociações que resultaram na retirada de artigos que beneficiavam a população negra, do Estatuto da Igualdade Racial (Lei 12.288), aprovado em 2010, após longas negociações lideradas pelo senador Paulo Paim e pelo deputado federal Edson Santos (PT/RJ), juntamente com o então ministro chefe da SEPPIR, Elói Ferreira de Araújo, atual presidente da Fundação Palmares.

O político goiano liderou a bancada dos "contras" a qualquer proposta para melhorar o Estatuto, segundo lideranças que acompanharam a tramitação do projeto. Estupro Demóstenes também teve atuação destacada nas Audiências Publicas realizadas no Supremo Tribunal Federal (STF), em março de 2010. Foi ele o autor de uma frase que causou revolta e indignação, em especial, no movimento das mulheres negras.

Ao fazer o elogio da miscigenação, disse. “Nós temos uma história tão bonita de miscigenação… [Fala-se que] as negras foram estupradas no Brasil. [Fala-se que] a miscigenação deu-se no Brasil pelo estupro. [Fala-se que] foi algo forçado. Gilberto Freyre, que é hoje renegado, mostra que isso se deu de forma muito mais consensual."

A declaração provocou a revolta e manifestos de repúdio por parte do movimento de mulheres “Não existe estupro consentido”, reagiu, à época, a cantora e hoje deputada estadual pelo PC do de S. Paulo, Leci Brandão. O senador, que se diz descendente de negros, apanhado pedindo dinheiro e intermediando negócios com Cachoeira, também tornou-se o principal opositor a adoção de cotas para negros e indígenas nas universidades federais.

Ele pediu desligamento nesta terça-feira (03/03), do Partido Democratas para evitar a expulsão iminente, porém, não deve escapar do julgamento pelo Conselho de Ética do Senado. ]

Entenda o caso

O senador goiano foi flagrado em escutas telefônicas feitas pela Polícia Federal com autorização da Justiça, com Carlinhos Cachoeira. Cachoeira e outras 34 pessoas permanecem presas. Ele também é acusado de ter recebido um telefone antigrampos da máfia dos caça-níqueis e de ter pedido para o bicheiro pagar R$ 3 mil em despesas com táxi aéreo, além de vazar informações sobre reuniões reservadas que manteve com representantes dos três Poderes.

Da Redacao