Rio – Lideranças negras e anti-racistas cariocas intensificaram a mobilização para paralisar, nesta segunda-feira (22/01), a agência do Banco Itaú da da Avenida Rio Branco com Nilo Peçanha, centro da cidade, por ocasião do 30º aniversário da morte do jornaleiro Jonas Eduardo Santos de Souza. Jonas, 34 anos, foi morto pelo segurança Natalício Marins, da empresa Protege, com um tiro no peito. A idéia é impedir as atividades normais da agência desde às 08h até às 16h, quando normalmente se encerra o expediente.

Josias, irmão do jornaleiro morto, disse a Afropress que a família, ainda bastante abalada pela morte, comparecerá. “A família vai participar do ato”, garantiu, acrescentando que o Banco não tem dado qualquer apoio ou assistência. “A ajuda que poderia ter acontecido era na hora, evitando-se o que aconteceu”, afirmou.

O advogado Humberto Adami, que convocou a primeira manifestação de protesto logo após o crime, disse que espera um protesto ainda maior. No anterior, 200 pessoas protestaram diante da Agência. “Estamos confiantes numa grande mobilização. Essa morte não pode ficar impune”, disse Adami que, na terça-feira, assistiu ao interrogatório do segurança Natalício Marins à Justiça. Marins, que tinha tido a prisão preventiva decretada, estava foragido, porém, entregou-se e está preso.

Orientado por advogados da Protege alegou que agiu em legítima defesa porque Jonas estava bastante nervoso e, depois de ficar retido na porta giratória, já entrou xingando e desferindo chutes e ponta-pés. Marins disse que o tiro foi acidental. Segundo a direção do Banco, há uma fita que registra os momentos que antecederam o episódio e que pode esclarecer as circunstâncias em que ocorreu a suposta luta corporal travada entre ambos (se, de fato, houve), que culminou com a morte do jornaleiro.

A análise da fita, dos depoimentos das testemunhas e do laudo pericial é que vão determinar se o segurança será pronunciado (acusado formalmente) pelo Ministério Público por homicídio doloso (onde o autor tem a intenção ou assume o risco pelo resultado da ação).

Só no Rio

A idéia de estender os protestos por, pelo menos uma agência em cada Estado do país, entretanto, não será levada adiante. O diretor executivo da Educafro, Frei David Raimundo dos Santos, disse que a idéia lhe foi sugerida por um militante do movimento negro do Rio, cujo nome, ele não revelou, porém, a militância da Educafro nos meses de janeiro e fevereiro “está sobrecarregada com muitas tarefas”, e não poderá tomar à frente de qualquer protesto neste caso. “Estamos na expectativa de que outras entidades do Movimento Negro assumam. Quem fizer alguma coisa, nós damos apoio”, concluiu.

Da Redacao