S. Paulo – Atos e manifestações em todo o país marcarão nesta sexta-feira, 20 de Novembro, o Dia Nacional da Consciência Negra, sem a aprovação do Estatuto da Igualdade Racial, que tramita no Congresso desde 2005.
As principais manifestações para marcar a data acontecerão na Praça Castro Alves, em Salvador, que terá a presença do Presidente da República, Luis Inácio Lula da Silva (foto), e no Centro de S. Paulo, com a Marcha da Consciência Negra, em que os organizadores – a CONEN, a UNEGRO e entidades do movimento social – prometem reunir 15 mil pessoas.
A Programação da Marcha em S. Paulo começa com a concentração a partir das 10h no Largo do Paissangu. Às 11h30 haverá Ato Interreligioso e, a partir das 13h, Caminhada com os manifestantes percorrendo a Av. São João, Av. Ipiranga, Av. São Luiz, R. Cel. Xavier de Toledo, encerrando no Teatro Municipal. No período das 14h30 às 17h haverá atividade cultural.
Lula cogitava sancionar o Estatuto da Igualdade durante o ato público, em Salvador, porém, sem aprovação pelo Senado, isso se tornou inviável. O projeto já foi aprovado pela Câmara por acordo de lideranças, porém, é contestado por setores do Movimento Negro que denunciam a descaracterização do texto original do projeto, que teria sido promovida pelo deputado Edson Santos, ministro chefe da Seppir, de olho nas eleições do ano que vem.
Palanque
A não aprovação do Estatuto pelo Senado teria ocorrido porque senadores do DEM, especialmente, se posicionaram contra “dar a Lula um palanque na Bahia para a campanha da sua candidata, a ministra Dilma Roussef”. Sem poder sancionar o Estatuto, o presidente está sendo convencido por assessores a encaminhar Projeto de Lei a Câmara declarando o 20 de Novembro Feriado Nacional, em homenagem a Zumbi.
A Assessoria de Comunicação da Seppir não confirmou essa hipótese, porém, a informação já vazou para a grande mídia e chegou a ser veiculada pelo colunista Ancelmo Góes, do Jornal O Globo.
Em S. Paulo
Em S. Paulo, as manifestações sairão da Avenida Paulista onde se realizaram nos anos anteriores. A saída da Paulista – o palco das principais manifestações políticas em S. Paulo – também refletiu a disputa entre setores do Movimento Negro paulista que pretendiam realizar a Marcha da Consciência Negra e encerrá-la numa sessão da Assembléia Legislativa, especialmente convocada pelo deputado Vicente Cândido, presidente da Frente Parlamentar pela Igualdade Racial, para votar os projetos que tratam da questão racial, incluindo o próprio Estatuto Estadual da Igualdade Racial.
A proposta de encerar a Marcha na Assembléia teria sido rechaçada pelo coordenador geral da UNEGRO – entidade do Movimento Negro formada por militantes e ativistas ligados ou próximos o PC do B – o historiador Edson França. Ele diz que a saída da Marcha da Igreja do Rosário sintetiza o encontro do Movimento Negro do passado, com o movimento negro moderno. “A Paulista não tem essa história”, afirmou França.
Em julho deste ano, a UNEGRO, que pertencia a CONEN – articulação de militantes negros ligados ou próximos ao PT – anunciou a sua saída do bloco político.
Setores do Movimento Negro do PT dizem que França não aceitou o encerramento da Marcha na Assembléia porque teria encarado essa posição como uma tentativa do deputado Vicente Cândido de personalizar a manifestação e capitalizá-la politicamente.
França nega, porém, tergiversa. “Queria ter esse poder. Houve sim, uma proposta par alevar a Marcha para a Assembléia. Aí o deputado Vicente Cândido ajudaria a Marcha. Eu sou contra esse nível de utilitarismo do movimento social. Eu gostaria de saber porque ele (Vicente Cândido) não tem emendas para a igualdade racial?, pergunta.

Da Redacao