S. Paulo – O dia 13 de maio deste ano será marcado por manifestações negras e anti-racistas em todo o país, que terão como tônica a denúncia de que a Abolição, no Brasil, está incompleta porque não significou a inclusão da população negra aos direitos básicos da cidadania. Negros tem uma expectativa de vida, em média, seis anos menor que os brancos, segundo os dados oficiais.
Em todas as capitais e grandes cidades estão programadas atividades e atos de protesto. As principais manifestações acontecerão em S. Paulo, capital, com a XII Marcha Noturna pelas ruas do centro, e a Caminhada da Jornada de Manifestações e Denúncia dos 120 anos de Abolição não concluída, que acontece em Itapecerica, cidade da região metropolitana da Grande S. Paulo.
Em Brasília, o ministro chefe da Seppir, Edson Santos, fará um café da manhã com a Imprensa, para lembrar a data e ressaltar a importância da luta contra o racismo no Brasil e da mobilização da sociedade para que seja aprovado o Estatuto da Igualdade Racial. A Afropress, foi convidada para a coletiva e estará presente, por intermédio do seu colaborador/correspondente em Brasília, jornalista Sionei Leão.
Marcha Noturna
A maior manifestação deverá ser XII Marcha Noturna, que começa às 18h com uma concentração na Igreja da Boa Morte, próxima ao Poupa Tempo, centro de S. Paulo, e que é promovida pelo Instituto do Negro Padre Batista, instituição negra ligada à Igreja Católica, e por mais uma dezena de entidades, entre as quais a Comissão Nacional Anti-racismo da CUT, os Agentes de Pastorais Negros (APN’s) e o Movimento Brasil Afirmativo. O tema da manifestação este ano será “120 anos da falsa Abolição – Pela aprovação do Estatuto da Igualdade Racial”.
A Marcha Noturna tornou-se uma tradição, desde 1.997 quando foi realizada pela primeira vez, tendo como tema “Negros nas Ruas na Madrugada de 13 de Maio”.
Trajeto
A manifestação deverá reunir pelo menos 2 mil pessoas, segundo estimativas das entidades organizadoras, e percorrerá ruas do centro da capital paulista marcadas pela história negra. Começa na Igreja Nossa Senhora da Boa Morte, na Rua do Carmo, esquina com a Tabatinguera, local em que os escravos rebeldes, condenados à morte recebiam as últimas bênçãos da Igreja antes de serem executados.
Também era nesta esquina que as crianças abandonadas eram deixadas, acolhidas e batizadas pelo bispo local, na Roda dos Enjeitados, construída em 1.924, pela Santa Casa. Foi na Rua Tabatinguera que também foi construída a primeira forca de S. Paulo. A Igreja da Boa Morte é tombada pelo Patrimônio Histórico de S. Paulo.
A Marcha segue depois pela Praça Clóvis Bevilácqua, Praça da Sé (onde até o século XVII havia um Pelourinho), seguindo pela Rua Roberto Simonsen, Venceslau Brás, Quinze de Novembro e Largo do Rosário, onde em 1.724, foi construída a Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, que mantinha até o século XIX, um cemitério para enterro de negros.
A Marcha continua pela Avenida S. João, Rua Líbero Badaró, Viaduto do Chá, Praça Ramos de Azevedo, Rua Conselheiro Crispiniano, e finalmente Largo do Paissandu, onde será encerrada em homenagem à luta e a resistência da Igreja.
Caminhada
A outra grande manifestação prevista acontece em Itapecerica, cidade da região metropolitana da Grande S. Paulo, que promove a “Caminhada pela Jornada de Manifestações e Denúncia dos 120 anos da Abolição Não concluída”, marcada para as 17h, que pretende chamar a atenção da população para o fato de que 70% das pessoas que vivem abaixo da linha de pobreza no Brasil são negras.
A Caminhada começa na Rua Bélgica até a Praça Martin Luther King e termina no Espaço Cultural Parque Paraíso, onde haverá apresentações de grupos de Rap, como o Produto Loco, Da Trilha, Conspiração 157 e Tropa Periférica. Segundo o rapper Denis Rodrigues dos Santos, da Associação H2 M.O.R. Hip Hop Movimento Organizado de Rua e coordenador do Movimento Brasil Afirmativo, em Itapecerica, são esperadas pelo menos 500 pessoas na Caminhada em Itapecerica.

Da Redacao