Superar a opressão
É a suprema aspiração
De todo homem livre
Preso me deu consciência
Da liberdade.
Silenciado,
Você me ensinou
A falar
Não há caminhada fácil,
Para a liberdade.
A não ser lutar,
Contra a desigualdade,
A discriminação e a opressão
Na busca de um novo horizonte
Construir o socialismo
Negro camarada irmão.
A III Conferência Mundial Contra o Racismo Discriminação Racial Xenofobia e Intolerância Correlatas, que aconteceu em 2001, na África do Sul cidade de Durban, aprovado por mais de 190 países orienta:
“…Lembrar os crimes do passado e contar a verdade sobre a história são elementos essenciais para reconciliação e criação de um sociedade baseada na justiça, na igualdade e na solidariedade…”
Assim, a III Conferência Mundial Contra o Racismo, discriminação Racial, Xenofobia e Intolerância Correlatas, neste ano de 2010 completou nove anos. E nós negros do Brasil precisamos organizar uma militância de mulheres, homens, jovens, aposentados, comunitária, estudantil, partidária e sindical que tenha por objetivo o horizonte do poder político de eleger um negro ou negra a Presidência da República Federativa do Brasil, nos pilares da liberdade, igualdade, e fraternidade.
Deve ser esse o pensamento do povo negro brasileiro que congregam nas diversas matrizes religiosas, a unidade como chave da vitória. A unidade de ação rebelando-se, para conquistar a verdadeira abolição política de homens e mulheres livres produtores de riquezas nesse país da desigualdade racial.
E para podermos resgatar essa divida do Estado nação e avançar para a verdadeira abolição precisamos organizar uma pauta de interesses que aglutine a todos e todas na luta contra o racismo, o machismo, o xenofobismo, a intolerância religiosa, convocando um grande Congresso Nacional do povo negro brasileiro para novembro de 2011 que tenha como bandeira central as eleições presidenciais de 2014.
Na realização desse Congresso podemos propalar que estaremos efetivando a Carta Magna Brasileira em seus Princípios e seus Direitos Fundamentais.
Não nos bastam as pequenas conquistas políticas e jurídicas não podemos parar na Lei Federal nº 12.288 de 20 de julho de 2010, Estatuto da Igualdade Racial, que define como dever do Estado e da sociedade garantir a igualdade de oportunidades, reconhecendo a todo cidadão brasileiro, independentemente da etnia ou da cor da pele, o direito à participação na sociedade, especialmente nas atividades políticas, econômicas, empresariais, educacionais, culturais e esportivas, defendendo sua dignidade e seus valores religiosos e culturais.
Os Direitos Humanos nasceram desse reconhecimento do valor e da dignidade da pessoa humana. Essa dignidade de todas as pessoas significa que o ser humano vale pelo que é, por ser humano, por ser pessoa. Esse valor é inegociável. Não pode ser comprado ou vendido. Todo ser humano merece respeito. Tem DIREITOS HUMANOS!!!
Todo homem – e toda mulher! – tem o direito de ser, em todos os lugares, reconhecido como pessoa perante a lei.
Independentemente do sexo, da cor, da idade, do credo, do país, do grau de escolaridade ou até de grande cidadania, santos ou criminosos, nenéns ou vovozinhos, sendo gente – apenas gente, todo homem e toda mulher são pessoas.
E devem ser reconhecidos como tais na vida de casa e da rua, na família e na sociedade, no trabalho e no lazer, na política e na religião. Também nas fabricas, nos canaviais e nas carvoarias. Também nas penitenciárias e sob os viadutos. Diante dos olhos dos transeuntes e ante as câmeras de televisão. Em todos os lugares, pois, deste redondo planeta azul que é a Terra.
(…) – Não é um cara; é uma pessoa. Não é uma vagabunda; é uma pessoa. Não é um estrangeiro; é uma pessoa; não é um mendigo (para brincar de fogo com ele!); é uma pessoa. (Uma pessoa, senhora juíza!)
Por isso, se faz necessário efetivar-se além das normas constitucionais relativas aos princípios fundamentais. O Estatuto da Igualdade Racial que adota como diretriz político-jurídica a inclusão das vítimas de desigualdade étnico-racial, a valorização da igualdade étnica e o fortalecimento da identidade nacional brasileira.
E a luta pelo poder político de fato com a eleição de uma liderança negra para a presidência da República fechará um ciclo de desigualdade racial, da exploração, e opressão do povo negro e pobre desse país.
Todos os negros e não negros que abominam o racismo e querem construir a verdadeira democracia de raça e classe devem se empenhar nesse grande debate de construção do Congresso Nacional do povo negro pela Democracia e o Poder Político rumo às eleições Presidencial de 2014.
Elegendo o Presidente ou a Presidenta da República Federativa do Brasil, é realizarmos o grande sonho do maior líder negro das Américas ZUMBI DOS PALMARES. A verdadeira sociedade SOCIALISTA!
Igualdade, canto do povo negro.
Igualdade, igualdade doutor,
Igualdade o negro sempre lutou.
Enfrentando a intolerância
O racismo e a opressão
Na luta por igualdade
Construindo a nação.
O negro não, mas, escravo
Com seu canto varonil
O negro é liberdade
Cantando o Brasil.
Oh! Oh! Igualdade, o negro lutou
Igualdade o povo negro buscou
Igualdade o seu canto ecoou.
Reafirmando os seus direitos de cidadania
Princípios de igualdade
Na Carta Magna Irmão,
Todos por igualdade
O Brasil é uma grande nação.
Racismo e intolerância
Não tem mais espaço não
O Estatuto da Igualdade não é o fim
É o caminho da não discriminação!
Salvador, Bahia, Brasil, 17 de Novembro de 2010.
*O título original do artigo é “Manifesto: Consciência Negra Rumo ao Poder Político no Brasil”.

Roque Assunção da Cruz (Roque Tarugo)