Meu intuito é manifestar toda a minha insatisfação e indignação sobre o evento Feira Preta, realizado no dia 12/12/2009 nas dependências do Anhembi.
Sou brasileiro, paulistano, 36 anos, estudante de Jornalismo. Neste dia fui convidado por uma amiga negra e muito bem informada sobre seu papel na sociedade brasileira. Basicamente eu só tinha informação desta Feira Preta através de amigos, que já tinha prestigiado o evento. Segundo informações, as primeiras ediçoes aconteciam na Praça Benedito Calixto, bairro de Vila Madalena.
Enquanto a sociedade discute questoes de igualdade racial, fiquei perplexo com o tamanho do comercial na qual tomou o evento em relação às primeiras edições na Vila Madalena. Do mesmo modo que a Feira cresceu em termos de organização também cresceu a dificuldade de acesso.
A primeira observação se levarmos para o plano de estudo sócio econômico da população negra no Brasil, o ponto crucial foi a observação feita logo na entrada, quando estava sendo cobrado R$ 15,00 para acesso ao evento, preço nada justo para utilização de um espaço público; outra questão, a falta de meias, sob a alegação de que tais entradas já haviam se esgotado, uma desculpa visivelmente esfarrapada. Inadmissível.
Outro fato que me marcou foram foi a falta de sensibilidade da organização da Feira em expor um estande de
produtos indígenas com nativos totalmente fora do eixo do evento que, por sua vez tinha uma conotação urbana .
O fato que mais me marcou e indignou foi observar na entrada algumas jovens adolescentes negras contando o pouco dinheiro para comprar sua entrada. Outra questão foi a comercialização de livros que tem sua venda proibida por Lei, por conter investimentos de fundos governamentais. Isto significa dinheiro público de brancos, negros e mestiços de todos os brasileros que pagam seus impostos e tributos nada justos.
Quero deixar bem claro é que não sou contra a amplitude organizacional da Feira, mas contra medidas de intuito capitalista de lucros e vantagens sobre uma população na sua grande maioria desprovida de oportunidades, de igualdade racial e social.

Sandro Cabral