S. Paulo – O líder dos Racionais MCs, Pedro Paulo Soares Pereira, Mano Brown, disse que é a favor do “SIM”, no Referendo do dia 23/10 e faz um alerta para o perigo representado pelo “armamento abundante na mão de pessoas sem estrutura, sem equilíbrio, problemáticas”.
“Eu sinto a falta de vários camaradas que morreram vítimas de violência barata mesmo, de idéia de que poderia resolver trocando idéia. A arma não deveria estar na mão de ninguém, nem a polícia deveria andar armada”, afirmou.
Segundo Brown, “a partir do momento em que a polícia tem o direito de matar, o cidadão também tem, porque, na verdade, o policial também é um cidadão comum, o governador também é um cidadão comum, ele não tem o direito de matar, ninguém tem o direito de matar”. “Então, tem que desarmar geral, eu sou a favor de desarmar geral, todo mundo”, acrescentou.
Na entrevista exclusiva que concedeu ao repórter André Caramante, do Jornal “São Paulo Agora”, o líder dos Racionais admitiu que já andou armado para se defender, mas não voltaria a fazê-lo. “Eu preferia não ter uma arma na mão no momento em que fosse necessário. Preferia não ter. Acho que uma vida humana vale muito mais do que qualquer coisa, e isso é irreversível. Muita coisa que poderia ter sido resolvida na idéia acabou em morte, pelo fato de a arma dar essa sensação de controle total”.
Brown, na entrevista, reconheceu que os jovens estão sem esperança, daí a defesa, que ele reconhece como uma tendência bastante forte, do armamento generalizado, e fez uma alerta ao Governo Federal.
“O Brasil está à beira de um… o barril está para explodir mesmo, hein, meu. Se o Lula não conseguir dar um passo, fizer alguma coisa que as pessoas realmente notem. Se esse governo agora, que vai entrar no último ano, não fizer alguma coisa que seja visível aos olhos dos humildes, uma coisa que faça diferença dentro da casa das pessoas, eu acho que a tendência é o Brasil voltar a ter um governo de direita, moro, meu, de pessoas que pregam a arma, pregam a construção de cadeia, ta ligado, que pregam a repressão, e a periferia continuar alienada. Agora vai se alienar por outras coisas”, concluiu.

Da Redacao