S. Paulo – O Mapa da Diversidade prometido pelos maiores bancos brasileiros, depois de acusados pelo Ministério Público do Trabalho de discriminar negros e mulheres – denúncias que, posteriormente, ecoaram na Comissão de direitos Humanos da Câmara dos Deputados por conta de pressão feita por entidades negras e pelo advogado Humberto Adami, do Instituto de Advocacia Ambiental e Racial (IARA) – está pronto porém, sua implementação não tem data para acontecer porque a Febraban – Federação Brasileira de Bancos – ainda não validou as recomendações feitas.
O Mapa foi lançado em abril do ano passado, em um megavento no Hotel Inter-Continental, da Alameda Santos, nos Jardins, zona nobre de S. Paulo, com a presença do próprio presidente da Febraban, Fábio Barbosa. No evento, a Febraban fez o lançamento do projeto, iniciado em abril de 2007, com a contratação da professora Maria Aparecida Bento (foto), do CEERT (Centro de Estudos das Relações do Trabalho e Desigualdades).
Não foi informado o valor do contrato Febraban/CEERT, que envolveu cerca de trinta técnicos entre abril de 2.007 e outubro de 2.008.
No papel
Embora concluído em outubro do ano passado e entregue formalmente em dezembro, o trabalho do CEERT, que resultou em um relatório com dezenas de páginas e orientações sobre o Plano de Ação a ser adotado, ainda não foi validado pela maioria dos cerca de 18 bancos envolvidos. Até o momento, segundo apurou a Afropress, uma única instituição – o Banco Real – se posicionou favoravelmente ao acatamento das recomendações feitas e se propôs a implementá-las.
O Mapa consistiu numa pesquisa com o setor de recursos humanos, um censo envolvendo os 400 mil bancários das instituições, para identificar as relações entre ascenção profissional e gênero, etnia e porte de deficiências, o diagnóstico sobre a situação de gênero e raça nos cargos e nos processos de contratação e promoção e de práticas que os bancos já desenvolviam, e orientações sobre o Plano de Ação. O conteúdo das recomendações e das ações ainda não foi divulgado.
O segmento financeiro emprega cerca de 2% da força de trabalho do país. Só em S. Paulo, antes da crise econômica mundial, eram cerca de 64.750 pessoas, das quais apenas 7,9% negras (pretas e pardas). São Paulo é o Estado com maior população negra do Brasil em números absolutos – 12,5 milhões de pessoas, segundo estudo da Fundação Seade.
Procurada por Afropress, Cida Bento preferiu não falar sobre o trabalho feito, alegando razões de ordem ética, uma vez que foi contratada pela Febraban e cabe a direção dos bancos se manifestar sobre o que farão. Ela, porém, destacou: “Existem iniciativas no segmento bancário e muitas possibilidades de mudança da realidade”.
Pressão sobre os bancos
A denúncia e a pressão para que os bancos promovam a inserção de negros no mercado de trabalho foi iniciada em 2.005 pelo advogado Humberto Adami, presidente do Instituto de Advocacia Ambiental e Racial, responsável pelas primeiras representações junto ao Ministério Público Federal do Trabalho.
As representações com denúncia dos cinco maiores bancos brasileiros – entre os quais gigantes como o Itaú, o HSBC, o Bradesco, e o Real entre outros – foram todas rejeitadas pela Justiça, mas na época, o procurador Otávio Brito Lopes, recorreu.
Posteriormente, o Ministério Público do Trabalho interrompeu a estratégia de entrar com ações contra as instituições, sob a alegação de que as alegações – defendidas por lideranças negras como o Frei David Raimundo dos Santos, da Rede Educafro – e que as mesmas não deveriam mais ser pressionadas, uma vez que, por meio da Comissão de Direitos Humanos, haviam se comprometido ao diálogo. O trabalho desembocou no anúncio e no compromisso público de implementar o Mapa da Diversidade, sobre o qual a Febraban mantém, por enquanto, completo silêncio.

Da Redacao