Rio – Ao contrário do que reza o senso comum, S. Paulo e Rio são as duas cidades com maior número de pretos e pardos em todo o país com 4,21 milhões e 3 milhões de habitantes, respectivamente, de acordo com o Mapa da População Preta e Parda, lançado nesta segunda-feira (14/11), pelo Laboratório de Análises Históricas, Econômicas, Estatísticas das Relações Raciais (LAESER) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
O Mapa consolida a posições de S. Paulo e Rio como as maiores cidades negras do mundo fora da África, ficando atrás apenas de Lagos, na Nigéria, no continente africano. Salvador é a terceira cidade, com 2,7 milhões de pretos e pardos.
Números relativos
Em números relativos, porém, Salvador continua sendo a capital com maior presença de pretos e pardos, com 79,5%, seguida de Belém, com 72,3%, e Macapá, com 72%. Considerando-se apenas a presença de pretos, Salvador fica com 743,7 mil, seguida de S. Paulo 736 mil e Rio, com 724 mil.
Segundo o professor Marcelo Paixão (foto), coordenador do LAESER, os negros no Brasil, são uma “maioria que fica confinada aos piores espaços sociais e ainda não conseguiu transformar suas questões em questões de debate público”.
“Não faz o menor sentido o tratamento de minoria. O próprio crescimento da população preta e parda confirma uma tendência que já vinha sendo notada desde 1.995. A grande conquista do movimento negro é essa. Trata-se de uma mudança, que não é apenas quantitativa, mas de natureza cultural-comportamental e também sócio-política”, afirmou Paixão.
Maiorias
O Mapa da População preta e parda mostra que, do total de municípios brasileiros recenseados demograficamente em 2010, em 56,8% os pretos e pardos são maioria da população residente.
Segundo os dados do Censo de 2000, a soma de pretos e pardos com percentual superior a 50% da população residente nos municípios era de 49,2%.
“Logo, observa-se que no intervalo de dez anos houve um aumento no número relativo de municípios brasileiros com maioria preta & parda em 7,6 pontos percentuais”, acrescenta Paixão.
Segundo o coordenador do LAESER os dados do Mapa revelam que os indicadores do Censo 2010, que pela primeira desde 1.872, quando ocorreu o primeiro Censo, mostrou que os negros (pretos e pardos) são maioria na população brasileira com 50,7%, “podem ter sido influenciados pelo processo de valorização da presença afrodescendente na sociedade brasileira, assim como pela adoção das políticas de ação afirmativa”.
“Isso vale tanto para o crescimento relativo dos que se declararam pretos, como os que se declararam pardos”, finalizou.

Da Redacao