Brasília – “A Marcha das Mulheres Negras contra o Racismo e pelo Bem Viver”, como a denominaram suas organizadoras, realizada nesta quarta-feira (18/11), em Brasília, insistiu no velho modelo de participação popular esgotado sob os Governos do PT: algumas centenas de ativistas vão à Brasília desfilam reivindicações pela Esplanada e depois acabam no gabinete da Presidência da República para entregar documentos e tirar fotos sob sorrisos com a presidente de plantão, no caso a atual, presidente Dilma Rousseff.

O que aconteceu em Brasília – com o protagonismo das mulheres – aconteceu em 2.005, na Marcha Zumbi +10 no primeiro mandato do ex-presidente Lula, com a presença de homens e mulheres. Depois de um dia na Esplanada gritando palavras de ordem, um grupo acabou sendo recebido por Lula e lhe entregou uma série de reivindicações. Nunca mais se ouviu falar nem do documento, nem do grupo.

Com as mulheres, o enredo não foi diferente, desta vez com a presença da ministra das Mulheres, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos, Nilma Lino Gomes, que ficou no cargo, depois do rebaixamento da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR), no contexto da crise atual política e de governabilidade.

Discurso do óbvio

“Defendemos o fim do extermínio da juventude negra e viemos dizer para a presidenta que é necessária uma atitude bem organizada pelo fim da intolerância religiosa. Ela recebeu nossas reivindicações e vai continuar o diálogo. Temos uma pauta do Mês da Consciência Negra.”, disse a Secretária de Combate ao Racismo da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação, Iêda Leal.
 

A Marcha, que teve estimativa de participação para todos os gostos e posições, – de 10 a 50 mil – foi perturbada pela ação de dois provocadores que dispararam tiros para o alto, numa ação até o momento inexplicada até mesmo para quem esteve presente. Os dois, policiais civis que acabaram  presos, fazem parte do grupo acampado em frente ao Palácio que pede o impeachment de Dilma.

No mais, a manifestação, ao tornar generalizar tudo como "racismo" e não especificar o que significa a defesa do “bem viver”, foi a repetição de protestos que seguem um script determinado antes mesmo de começar e que governos adoram: denuncia-se o racismo, a mortandade e a violência das mulheres e o "extermínio" de jovens negros, sem uma pauta determinada e sem cobrar responsabilidades de quem as tem: os Governos e o Estado.

Números

No último Censo do IBGE as mulheres negras representam 25,5% da população. O Mapa da Violência divulgado no início do mês, afirma que os casos de homicídios envolvendo mulheres negras cresceram 54,2% entre 2003 e 2013, passando de 1.864 para 2.875. No mesmo período, o número de ocorrências envolvendo mulheres brancas cresceu 54,2%.

A pergunta que não quer calar é: a violência envolvendo mulheres brancas e negras, não é igualmente condenável e, portanto, o que impede que se unam as pautas para se exigir do Estado e dos Governos segurança para todas?

Da Redacao