Salvador/BA – As cinquenta famílias que habitam o Quilombo do Rio dos Macacos, que fica próximo a Base Naval de Aratu, permanecem cercados por policiais militares e efetivos da Marinha do Brasil. As famílias ocupam a área há mais de 100 anos, segundo os moradores.
O cerco começou neste domingo (04/03), quando venceu o prazo dado pela Justiça para a reintegração de posse. A Marinha, porém, ignorou o resultado da audiência pública, realizada no final do mês passado, com a presença de representantes do Governo Federal, em que ficou definido que a reintegração seria suspensa por cinco meses.
O prazo, segundo o acertado na Audiência, seria para finalizar o Relatório Técnico de Identificação e Delimitação realizado pelo Instituto de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), que vai definir há quanto tempo os quilombolas ocupam a área.
Ativistas solidários à Comunidade Quilombola tentaram neste fim de semana levar alimentos, mas foram impedidos de entrar no Quilombo pela Polícia.
Segundo a presidente do Conselho de Desenvolvimento da Comunidade Negra (CDCN), Vilma Reis, caminhões da Marinha, tratores e viaturas da Polícia Militar mantiveram durante todo o dia o cerco à Comunidade.
A Marinha quer a área ocupada pelos quilombolas para expandir um condomínio para seus oficiais. “A Marinha do Brasil não pode tomar o território de Rio dos Macacos, porque ela como instituição brasileira não está acima das demais instituições nacionais”, disse Vilma Reis. Além do CDCN outras organizações vem acompanhando a questão.
Denúncia
Em janeiro deste ano, os integrantes da comunidade aproveitaram a presença da presidente Dilma Rousseff na Bahia para denunciar a pressão que a Marinha está fazendo para que eles deixem a área, que fica dentro da Vila Militar, na divisa entre Salvador e o município de Simões Filho.
Na ocasião, um grupo de 50 quilombolas realizou manifestação na área do pier marítimo de São Thomé de Paripe, com faixas reivindicando à presidente uma “solução” para o conflito de terras que, segundo eles, ocorre desde a década de 70, quando foi criada a Base Naval de Aratu.
De acordo com os moradores da área, as famílias estão no local desde a época da abolição da escravatura, há mais de 100 anos.
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Da Redacao