S. Paulo – O secretário de Justiça de S. Paulo, Luiz Antonio Marrey (foto), mandou um duro recado aos setores da Polícia que ainda resistem a aplicar as leis anti-racistas, durante o ato de lançamento do projeto “A Polícia Judiciária e as Questões Práticas no âmbito das Relações Étnico-Raciais”, que aconteceu na última terça-feira (23/03), no Auditório Franco Montoro, Páteo do Colégio. “Quando se fala de racismo e preconceito, sempre me chapa a atenção a impunidade dos crimes de racismo. Essa impunidade é alimentadora de novos crimes”, afirmou Marrey.
Numa mesa formada pelo secretário municipal de direitos Humanos, o ex-ministro José Gregori, pelo diretor da Academia de Polícia do Estado de S. Paulo, Adilson José Vieira Pinto, e pela promotora Eloisa Arruda, da Escola do Ministério Público, Marrey enfatizou que a estratégia do Estado para combater os efeitos da cultura de discriminação e do racismo deve “de um lado, privilegiar a Educação para os direitos humanos, mas de outro lado, não podemos deixar essa situação impune”.
Impunidade
Embora não estivesse falando de um caso específico, a fala de Marrey foi entendida lideranças presentes como um recado aos setores da Polícia que “por ignorância e insensibilidade” acabam favorecendo a impunidade.
“A construção da igualdade tem de ser feita por atos, com o cumprimento da Lei, com medidas concretas, com profissionais preparados para acolher as vítimas de preconceitos e dar conseqüências concretas, tanto no âmbito criminal quanto no cível. “A sociedade brasileira cada vez mais tem se fundado no pluralismo, mas ainda há nichos de atrasos circunstanciais que tem de ser superados”, concluiu.
No auditório lotado estiveram presentes os ex-secretários de Justiça, Hédio Silva Jr., e Eunice Prudente, além da ex-deputada Theodosina Ribeiro, da presidente do Conselho da Comunidade Negra, Elisa Lucas Rodrigues, e da chefe da Coordenação de Políticas da População Negra e Indígena, Roseli de Oliveira.
O projeto prevê ações como seminários e oficinas para sensibilizar a Polícia de S. Paulo a tratar da questão étnico-racial e a superar o racismo e a discriminação em todo o Estado.

Da Redacao