S. Paulo – “Nós ouvimos. Temos prestado atenção e demos um passo criando a Coordenadoria de Políticas da População Negra e Indígena. Vamos construir esse trabalho como ponto de partida. É uma tentativa de avançar. Vamos aguardar o que a Conferência vai discutir. Temos de observar que foi dado um passo de avanço”.
A afirmação foi feita pelo Secretário Luiz Antonio Marrey, em entrevista ao jornalista Dojival Vieira, editor de Afropress, após participar da mesa de abertura da Conferência Estadual e ouvir os gritos partidos do plenário, de cerca de 800 delegados, com o pedido da criação da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial.
Marrey, disse que tem a seu favor, um histórico de “acessibilidade ao tema e de ações entusiasmadas de muitos anos em defesa da igualdade, em particular da igualdade racial”. Defendeu um diálogo aberto e franco, “total acessibilidade ao secretário”, “uma parceria que tem urgência” e pediu a ajuda de todos para cumprir essa nova tarefa – a construção de um país em que a diversidade seja respeitada”.
Ele não quis falar da polêmica envolvendo o Secretário de Relações Institucionais, José Henrique Reis Lobo, mas opinou que, “talvez, o secretário Lobo não tenha sido bem entendido” e que não crê que o colega tenha expressado um desejo pessoal (o de que ações afirmativas só em 500 anos). “Nosso desafio é fazer o processo avançar; melhorar os canais de diálogo com os movimentos. “Os assuntos que eu trato, não trato pela metade”, acrescentou, dando o tom da missão dada pelo governador de tratar do Conselho – ainda mais esvaziado – e da Coordenadoria criada por decreto de Serra para tratar das políticas para a População negra e indígena.
Mesa da abertura
Afora a reivindicação por uma Secretaria de Ações Afirmativas e Promoção da Igualdade, e pelas vaias a presidente do Conselho da Comunidade Negra, a abertura da Conferência teve o clima padrão desse tipo de evento. Na mesa de abertura, alem de Avanir, representante dos indígenas residentes na região metropolitana, os deputados Vicente Cândido, José Cândido – os dois do PT – e Milton Flávio, do PSDB, o reitor da Universidade Zumbi dos Palmares, José Vicente (foto).
Vicente, chamado simbolicamente de reitor – uma vez que a Universidade, é só uma Faculdade dirigida pela ONG Afrobrás – foi posto à Mesa por interferência do próprio Lobo – de quem se diz amigo e que, até a véspera, junto com a Secretaria da Justiça, formalmente era o responsável pela convocação da Conferência.
Mídia ausente
Ao contrário dos eventos de sua ONG – entre os quais o Troféu Raça Negra e a Medalha Zumbi dos Palmares – em que, tradicionalmente, conta com a presença de personalidades do mundo da política e da música, e de atores e atrizes da televisão – patrocínio de grandes empresas e ampla cobertura da TV Globo e da grande mídia, a abertura da Conferência Estadual de S. Paulo não teve a cobertura de nenhum veículo de comunicação, com exceção da Afropress.

Da Redacao