Brasília – Foi publicada no Diário Oficial da União desta sexta-feira (17/05), a exoneração de Martvs das Chagas, diretor do Departamento de Fomento e Promoção da Cultura Afro-Brasileira da Fundação Cultural Palmares, autarquia vinculada ao Ministério da Cultura (MinC), e um dos principais formuladores da política que levou a criação da SEPPIR, a Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, ligada à Presidência da República.

A exoneração havia sido antecipada pela Afropress na edição de 03 de abril (“Cobrinha começa mudanças na Palmares e exonera Martvs”), e é parte da nova política que o novo presidente da Palmares, Hilton Cobra, o Cobrinha quer dar a autarquia, de alinhamento absoluto à gestão da ministra Luiza Bairros, responsável por sua nomeação e de quem ele se diz amigo "há mais de 30 anos".

Martvs, que é do PT de Minas, será substituído por Lindivaldo Leite Jr., mais conhecido como Jr. Afro, ativista pernambucano, ex-coordenador estadual do Movimento Negro Unificado (MNU) e ex-diretor da Diretoria da Igualdade da Prefeitura de Recife.

Alinhamento

Além de ser um dos principais articuladores da SEPPIR, ainda no período da transição no final de 2002, Martvs chegou a ocupar interinamente o cargo de ministro após a crise que provocou a saída da ex-ministra Matilde Ribeiro, em 2009, por ter tido o seu nome envolvido no escândalo dos cartões corporativos.

Com a posse do deputado Edson Santos, do PT carioca, na SEPPIR, ele passou a ser Secretário de Políticas de Ações Afirmativas, a pedido do próprio Lula, que publicamente pediu ao novo ministro que o mantivesse na SEPPIR, prosseguindo na gestão do ex-ministro Elói Ferreira de Araújo, que substituiu Santos.

Em recente viagem à Nova York, Cobrinha,  disse ao correspondente de Afropress, Edson Cadette que, pela primeira vez a Palmares trabalharia em sintonia com a SEPPIR, numa alusão às disputas entre as direções dos dois órgãos.

Disputa 

São conhecidas as divergências entre a equipe que ocupou a Palmares sob a presidência de Elói Ferreira de Araújo, e Luíza Bairros. Tão logo assumiu a socióloga, que faz parte da cota de ministros indicados originalmente pelo governador Jacques Wagner, do PT da Bahia,  pretendeu ignorar as realizações dos seus antecessores e chegou a cunhar o mote “Igualdade racial, agora é prá valer”.

O lema da nova SEPPIR sob a gestão Bairros só não foi adiante porque a Casa Civil barrou a idéia, lembrando a ministra que, afinal, ela como os demais ministros faziam parte do mesmo Governo – os dois Governos Lula, continuados pela presidente Dilma Rousseff.

Férias

Martvs voltará a Juiz de Fora, onde começou a sua trajetória militante e deve trabalhar em consultorias com a pequena empresa de prestação de serviços que criou. Ele teria confidenciado a amigos com quem tem conversado que pretende voltar a ter uma atuação ativa no Partido e no movimento negro, e  continuará lutando para que a SEPPIR retorne ao seu projeto original. Lideranças do PT, e até dirigentes da Coordenação Nacional de Entidades Negras (CONEN), a articulação política que reúne ativistas ligados a esse partido, não escondem o descontentamento com a gestão de Bairros e afirmam que lutarão para que a SEPPIR seja "um instrumento do Estado para a realização da política da igualdade racial, com gestão aberta ao diálogo amplo e democrático com todos os setores do movimento negro".

 

Da Redacao