Os primeiros – carreiristas – não poderiam agir diferente. Não têm autonomia para pensar, que dizer manifestar-se. Apóiam incondicionalmente os seus patrões. O que é bom pra ele, também o é pra si. São servos da própria condição e aspirações que escolheram: manter o emprego, o prestígio e a conta bancária.
São os lacaios da conveniência! Lacaio: Criado trajado de libré – vestimenta dos criados de nobres, com as cores e armas do patrão -, servil, subserviente, sabujo, amouco, de mau caráter, segundo o Larousse.
A classe média adesista – setor popular que mais ganhou com a política do governo nos últimos anos – é seguidista. Conseguiu em 16 anos emprego publico e privado, comprou carro, viajou ao exterior, adquiriu casa própria, comprou eletrônicos importados.
Classe média, como tendência, é isso: tem conforto, é proprietária e aspira lugar na classe alta. Quer parcela cada vez maior do poder, única forma de se assemelhar a classe dominante. Oscila majoritária e ideologicamente entre quem lhe oferece a melhor oportunidade, esquerda ou direita. Entregam a alma a deus ou ao diabo, voluntariamente, por vantagens materiais.
A grande massa de despossuídos, pobres e miseráveis, espezinhada e vilipendiada em seus direitos, aspira um teto e 03 refeições à mesa para sua família todos os dias. Quem não possuía nada, e hoje consegue uma ou duas – …quase nada -, tirou sorte grande, multiplicou o nada por milhão. Não há tempo nem elementos, em sua cultura critica para discernir programas, direitos, ideologias e tendências. É gratidão acrítica, é fé cega e automática!
Os chefes e os marqueteiros políticos, as elites econômicas, a classe média, os lacaios e voluntaristas sabem, e disso tiram proveito. A mídia burguesa preferia Serra. Mas, sem tu, vai tu mesmo! Uma no cravo outra na ferradura. Colocam na parede a Dilma, e no dia a dia, fazem elogios rasgados dando grande ênfase a popularidade e aos indicadores sociais do governo.
Melhor o conservadorismo que não transmite confiança da Dilma, ao convencimento e a revolta politizada do povo.Tomemos o poder, antes que os outros o façam. O que importa é a governabilidade.
Este é o mote da campanha e do debate eleitoral: informar, formar e organizar? Qual nada! A ausência do debate político visa enquadrar a população, afastada e esquecida das lutas por direitos sociais e cidadania, em um imediatismo, cujo o objetivo é o mercado. A política é mercadologia de consumo e os políticos, os produtos ou bem duráveis.
Maniqueístas, os defensores dessas candidaturas apresentam seu produto como dogma. Uma lógica fundamentalista: questionamento ou critica, coloca o herege no outro extremo. Crêem em uma disputa mítica entre o bem e o mal! Hoje é a candidata do PT a beneficiada.
Serra, que nadou no carreirismo oportunista e anti-ético como professor de economia na Unicamp (sem nunca ter dado aulas), tendo questionada a sua graduação e doutorado não reconhecidos no Brasil, pegou onda no PMDB, campeão do é dando que se recebe. O candidato do PSDB foi construído na onda tucana de Covas e Montoro, pela mídia elitista, burguesa e anti-esquerda, anti trabalhadores, anti povo e anti-negros, de SP.
Vendem a ministra do mesmo modo. Segredo de polichinelo, em sua historia possui um hiato de 37anos. Desde 1972, não participou da campanha da anistia, da constituinte, das diretas, ou do fora Collor, apenas das burocracias dos governos Municipal (1986) e Estadual (1989) de Alceu Colares no RS. No governo de Olívio Dutra (2001) e no governo Lula (2003 a 2010).
Questioná-la virou pecado mortal! Dizer que a ministra faz campanha de candidato a prefeito, que não é convincente e não passa firmeza em seu discurso – critica natural de eleitor -, passou ser a maior heresia. Ao ponto descambar a discussão de competência, passando a ser sinônimo do volume que uma pessoa carrega entre as pernas: se mais, é o inferno; se menos, é o melhor de dois mundos.
É mulher, mais sensível e competente! Vociferam os exaltados defensores. Esquecem que a dama de ferro original foi Margareth Thatcher, muito competente na defesa do imperialismo e das elites econômicas inglesas. Um carrasco para os trabalhadores. A não menos inventada pelo protetor, presidenta da Argentina, é outro exemplo de que o volume maior ou menor dá no mesmo. Importa a historia, o compromisso e a sensibilidade social, que não faz parte do arsenal dos tecnocratas.
Tentando blindar sua candidata, esquecem os carreiristas à soldo, e a classe média adesista, que a poucos dias, denunciávam as manobras que levaram a aprovação do eleitoreiro Estatuto da Igualdade Racial. D. Dilma, a segunda caneta mais poderosa da Republica (segundo o Lula), manipulava nos bastidores, engavetando o decreto de desapropriação para titulação do Quilombo Invernada dos Negros; o plano Nacional Contra a Intolerância Religiosa a pedido de parlamentares do DEM. Comandou o Plano Nacional de Segurança Pública, que proporcionou a Jaques Wagner, ao Serra e ao Sergio Cabral e a tantos governos do PT, aliados e de oposição, carta branca para matar a juventude negra, à baciada.
Titulou apenas dois quilombos, nos últimos dois anos de governo, devido a e combatividade da luta dos quilombolas do RS, com a política de não empregar e diminuir o orçamento para os quilombolas, ano a ano. Que incluindo FHC, nos últimos 08 anos titulou só 17 Quilombos. O restante são titulações precárias, de governos estaduais, sem qualquer garantia de posse. É com isso que os quilombolas da BA estão satisfeitos? Por isso ocuparam o INCRA no Estado?
Deve ser esse o grande acerto. Aí! Poderoso e prepotente – à soldo -, definidor de quem é + ou – negro? Diz o velho ditado, o pior cego é o que não quer ver! Uma historia de lutas democráticas e realizações sociais, programa e compromisso são tudo! Massa de manobra, manietada, de que massa está falando? Ôôôôôô… cara pálida?
O título original do artigo é “Massa de manobra, manietada? De que massa está falando, cara pálida?”

Reginaldo Bispo