Brasília – A ex-ministra Matilde Ribeiro, em depoimento nesta quarta-feira (09/04) à CPI que investiga a farra de gastos com cartões corporativos, mudou a versão inicialmente apresentada para justificar o uso irregular do cartão: ela disse aos deputados que usou o cartão do governo por engano.
“Foi um fato isolado. Houve uma troca de cartões. Eu tenho um cartão pessoal na mesma cor e na mesma bandeira do cartão de pagamentos do governo federal”, afirmou. À época da exoneração, ela atribuiu a responsalidade a dois assessores que cuidavam do ordenamento das despesas na Seppir – Antonio Pinto da Silva e Carlos Eduardo Trindade -, ambos exonerados junto com ela. “Assumo o erro administrativo no uso do cartão. Os fatos partiram da dificuldade com deslocamento e hospedagem fora de Brasília. Foi um erro administrativo que pode e deve ser corrigido.Não estou arrependida. Fui orientada a usar o cartão”, disse à época.
A ex-ministra gastou R$ 14,3 mil mensais, em média, – quase sete vezes mais que o segundo colocado na lista – e mais do que seu salário mensal que é de R$ 10,7 mil, somando um total durante o ano de R$ 171,5 mil em despesas.
Até o momento, ela foi a única integrante do governo punida com exoneração por envolvimento no caso, embora tenha gasto 90 vezes menos que a Secretaria de Organização da Presidência da República, que no ano passado torrou R$ 4.054.162,21, na sua maior parte com despesas pessoas do Presidente, da primeira dama Marisa Letícia, familiares e assessores.
Fritura
Curiosamente fritada pelo próprio Partido, que só lançou uma nota em sua defesa após a demissão, a ex-ministra da Seppir passou a ser defendida por deputados da base aliada que, durante o depoimento, lhe prestaram homenagens, levando assesoras que a acompanhavam às lágrimas. “Para mim, você sempre será ministra do nosso governo. Tudo aquilo que Vossa Excelência fez no ministério nos orgulha, e muito”, disse o líder do governo na Câmara, deputado Henrique Fontana (PT-RS). Já a senadora Ideli Salvatti (PT-SC) fez questão de passar na sessão para dar um abraço pessoal em Mantilde no início do depoimento.
Nada é fácil
O senador Paulo Paim, por sua vez, destacou o passado de Matilde que enfrentou resistências para chegar à Seppir. “Eu conheço a sua história, sua vida. Para nós, negros, nada é fácil neste país. Com infância pobre, mulher e negra, foi três vezes discriminada. Hoje, é uma intelectual que muito orgulha a comunidade negra”, afirmou.
O deputado Vicente Paulo da Silva, Vicentinho, companheiro da ex-ministra desde o período da luta sindical no ABC paulista, afirmou que ela tem o apoio de todos os parlamentares da base aliada. “Minha irmã, nós estamos com você em todos os momentos. Sua vinda à CPI anulou qualquer má interpretação a seu respeito”, declarou.
Candidatura
Animada com as manifestações de solidariedade, a ex-ministra, justificou porque pediu demissão depois de ser pressionada pelo próprio Governo do seu partido. “Quando pedi demissão, não foi por pressão do governo. Mas foi em nome da continuidade das políticas de governo. Mas isso não está pautado em negação da minha vida política. Eu continuarei, seja na universidade, movimento social ou qualquer outra condição de trabalho. Continuarei na trincheira”, afirmou.
A ex-ministra é cogitada para disputar uma cadeira na Câmara de Vereadores de Santo André, sua base política, porém, prefere ainda não comentar publicamente essa hipótese, porque desde que deixou o cargo por orientação do Palácio do Planalto submergiu, recusando falar com a imprensa.

Da Redacao