Brasília – A população negra brasileira vive encurralada na pobreza por um apartheid não escrito e há resistência na sociedade às medidas de promoção da igualdade racial. A opinião é da própria ministra Matilde Ribeiro, da Secretaria Nacional de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), em entrevista à Agência Reuters. Na entrevista ela acusou a elite econômica, a mídia, os políticos e a Academia de bloquearem medidas como a adoção do sistema de cotas raciais.
“Nós fomos educados a crer que vivemos num paraíso racial, e que as desigualdades não são raciais, mas sociais e econômicas”, disse, acrescentando que apesar da discriminação não ser violenta nem institucionalizada, suas conseqüências são simplesmente devastadoras para a população negra. “Existe um apartheid não legitimado por lei”, disse.
O projeto do Estatuto da Igualdade Racial, que prevê cotas nas universidades, na mídia e no mercado de trabalho, está parado há 11 anos no Congresso. Um dos opositores é o próprio presidente da Câmara Aldo Rebelo (PC do B/SP), que está sendo acusado pelo senador Paulo Paim, autor do projeto, de bloquear a votação.
Matilde também queixou-se da mídia. “O meio de comunicação é um reflexo do que pensa a sociedade. Nós fomos educados a acreditar que o belo é o branco. A feiúra não é para ser mostrada. Na concepção tradicional dos meios de comunicação e do comércio, negro não vende, negro não dá ibope”, afirmou.

Da Redacao