Mauá/ABC – O prefeito Diniz Lopes, de Mauá, no ABC paulista sancionou na tarde de domingo, a Lei 3.878/2005, que transformou o 20 de Novembro – Dia Municipal da Consciência Negra – em feriado municipal. O prefeito assinou a Lei na Praça 22 de Novembro, uma das principais da cidade, durante as comemorações da data que homenageia Zumbi – o líder do Quilombo dos Palmares, morto há 310 anos.
A Prefeitura também deu início no domingo, a Campanha Municipal de Diagnóstico da Anemia Falciforme, doença predominante na população negra, que corresponde a 33,8% da população total do município. Agentes de saúde do Município coletaram amostras de sangue em 742 pessoas.
Os resultados dos exames de Eletroforese de Hemoglobina que identifica os portadores da Anemia e ou do Traço Falciforme devem sair em 25 dias. Os portadores da Anemia serão encaminhados para tratamento na área de hematologia do município e do traço receberão aconselhamento genético em um programa que está sendo estudado para implantação no município.
Segundo o coordenador de Promoção da Igualdade Racial de Mauá, Aparecido Anthony, a iniciativa é pioneira na região do Grande ABC.
A professora Zilma dos Santos, 31 anos, seus três filhos e marido fizeram os exames, aproveitando uma brecha durante o passeio de domingo da família. “Achei interessante a ação preventiva. Eu tenho um sobrinho com a doença. Conforme vai se desenvolvendo, o portador sente muita dor nos ossos. Por isso, o tratamento é importante para diminuir as crises”, disse a educadora.
O cobrador de ônibus Fernando Pereira dos Santos, 50 anos, pela primeira vez obteve informações sobre a anemia falciforme. “Levou só cinco minutos para colher o sangue. Achei ótimo que a idéia seja tornar esse exame freqüente na rede pública de saúde da cidade”.
Representantes de etnias indígenas que moram no município também apresentaram artesanato nativo e danças tradicionais das tribos ao público presente na Praça 22 de Novembro, à convite da Coordenadoria. “Nós conseguimos conservar os traços de nossas raízes à distância, com muito trabalho. Será importante conseguirmos um espaço no município para mostrarmos nossa cultura”, afirmou Bárbara Aparecida dos Santos Matoso, 23 anos, da etnia Pankararu.
Segundo o coordenador do Projeto Índios Urbanos da ONG (Organização Não Governamental) Opção Brasil, Marcos Júlio Aguiar, existem em Mauá representantes de nove etnias em Mauá. São elas: fulni-ô (PE), guajajara (MA), guarani, ianomami (RR), Kambiwá (PE), pankararu (PE), pankararé (BA), pataxó (BA) e xavante (MT). Essa população fica concentrada em diversos bairros da cidade, como Jardins Canadá, Feital, Sônia Maria e Zaíra.

Da Redacao