Mauá (Grande ABC/SP) – A comunidade de Resgate Afro Rosas Negras, de Mauá, promove neste domingo, das 08h às 17h, o I encontro Regional sobre Reparações para Afrodescendentes, que tem como objetivo discutir temas como Racismo, Ações Afirmativas e reparações para a comunidade negra de Mauá e da região do Grande ABC.
Um dos temas que será discutido, segundo o dirigente da entidade, José Eduardo Rosa, é a Lei da Proporcionalidade, que consiste na proposta de que a população negra tenha acesso à Educação e ao mercado de trabalho na mesma proporção da sua presença na composição da população de cada cidade. No caso de Mauá, a população negra representa 33% do total.
Na prática, de acordo com Rosa, a Lei da Proporcionalidade que ele defende, a ser objeto de projeto de emenda popular, significará a garantia da empregabilidade para os negros. “Por exemplo, nos Shoppings, onde sabemos que não se emprega negros, a Lei exigiria que contratassem um um percentual de negros proporcional a participação desse segmento na cidade. O mesmo vale para o Programa de Bolsas de Estudos, mantido pela Prefeitura”, afirmou.
Ele acrescentou que a defesa da proporcionalidade serve para demonstrar que a defesa da política de cotas não pode ser encarada como uma panacéia. “Muita gente está tratando as cotas como uma panacéia. É preciso avançar para a defesa da proporcionalidade”, disse.
Para Rosa a criação da Coordenadoria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial e Étnica de Mauá, por intermédio de projeto encaminhado à Câmara pelo prefeito Diniz Lopes, é um avanço, porém, frisou que deve ter uma ação nos “bolsões de miséria, que são majoritariamente negros”. “A Coordenadoria não pode fazer um trabalho só de gabinete. É preciso visitar os bolsões de miséria e promover o debate”.
Ele também vê com esperança a nomeação do ativista Aparecido Anthony, da ONG ABC SEM RACISMO, como Coordenador Geral. “O Anthony é um guerreiro. Como foi uma pessoa que participou de todo esse processo que resultou na Coordenadoria, é uma esperança. Esse é um ponto positivo. A expectativa que temos com ele é que tenha uma excelente atuação. Confio e espero que ele faça isso”, acrescentou, frisando, no entanto que a entidade tem como posição de princípio a independência em relação a partidos e governos.
A Comunidade de Resgate Afro Rosas Negra existe há cerca de 3 anos em Mauá e mantém cursos de Espanhol e Inglês básico, Pintura e Noções de cidadania para 42 crianças na faixa etária de 6 a 12 anos. As aulas acontecem todos os sábados num barracão do Jardim Lusitano. Quem quiser ajudar a manutenção desse trabalho deve entrar em contato pelos telefones 4576-1796 ou 8281-3195 com Arlete.
O I Encontro Regional sobre Reparações para Afrodescendentes acontece na Escola Estadual Irene da Costa Silva, no Jardim Itapeva, em frente ao Terminal de ônibus.

Da Redacao