O cantor Maxwell nasceu no dia 23.07.73 no Brooklyn (NY). Ele adotou seu nome do meio como nome artístico mantendo assim não só a verdadeira identidade, como também a privacidade de sua família.
Nascido da mistura de sangue porto-riquenho e afro-americano, perdeu o pai num acidente de avião quando tinha somente três anos de idade. A experiência causou um profundo impacto na sua vida. Ainda criança, começou a cantar na Igreja Batista do bairro.
Entretanto, somente aos 17 anos, começou a pensar sériamente numa carreira musical. Foi nessa época também que começou a compor suas próprias músicas usando um teclado barato da marca Casio que ganhou de um amigo.
Aos vinte anos, Maxwell estourou nas paradas de sucesso com as músicas: “Ascencion(Don’t ever Wonder), “Til the Cops Come Knockin” e “Fortunate”. Ele fazia parte do movimento chamado de “Neo-Soul”, que incluía as cantoras Erykah Badu, Lauryn Hill (ex Fugees) e também o cantor boêmio D’Angelo.
Na época, muitos aficionados do ritmo R&B acreditavam que, finalmente, a lacuna deixada pelo ótimo Marvin Gaye, desde sua morte, em 1982, seria preenchida. Porém, depois de vender milhões de álbuns, receber várias nomeações ao prêmio Grammy de musica, Maxwell, simplesmente, se escondeu, como se fosse um daqueles fundamentalistas com turbante na cabeça do Talibã, escondidos nas montanhas do Afeganistão.
Sem sua marca tradicional, que era o seu enorme afro, ele começou a andar incógnito no meio da multidão. Namorando, jogando basquete e até mesmo indo ao cinema muitas vezes sózinho.
Agora, oito anos depois, aos 36 anos (com cara de bem mais moço), está de volta.
Seu novo CD “Black Summers’ Night”, com faixas românticas faz parte de um trilogia a ser lançada nos próximos três anos. Dias atrás, esteve aqui, em Manhattan, falando do novo trabalho para a revista Uptown. Sua grande preocupação, ao que parece, é não ser enquadrado em um único gênero musical, como se estivesse usando uma camisa de força tendo seus movimentos totalmente restringidos.
Maxwell defendeu também nesta entrevista sua heterossexualidade, colocando assim um ponto final nos boatos que pairavam no ar sobre suas preferências sexuais.
Aparentemente, os fãs do cantor não o esqueceram. O novo álbum vendeu mais de 300 mil cópias na semana do lançamento, aparecendo em primeiro lugar na lista dos mais vendidos. Senhor Maxwell, Welcome back!
Lembranças de São Paulo
Certos fatos que acontecem nas nossas vidas jamais são esquecidos. Um destes, aconteceu comigo há, exatamente, 25 anos; mais precisamente, em 1984. Este ano, em particular, ficou na minha memória, entre outras coisas, porque, na época, vi no cinema o excelente filme de ficção cientifica “O Exterminador do Futuro”, estrelado pelo ex-halterofilista Arnold Schwarzenegger, fazendo o papel de um um robô enviado de um futuro não muito distante por máquinas futurísticas para tentar matar a mãe daquele que poderia ser o libertador dos humanos na luta contra as máquinas.
Linda Hamilton fez o papel da heroína Sarah Connor, que carregaria em seu útero, o líder dos humanos. Na época, ainda me interessava muito por ficção cientifica. Lembro-me também, com clareza, da garota que me acompanhou ao cinema. Seu nome era Sonia e vivia com sua mãe em uma kitchenette no centro de São Paulo.
Encontramos-nos pela primeira vez num dos bailes mensais da equipe de dança conhecida pela comunidade de jovens afro-brasileiros como “Os Carlos – O Som Para Dançar” na Casa de Portugal, um espaço localizado no bairro da Liberdade.
Fomos ver o filme no antigo cinema “Call Center”, localizado na esquina da Avenida Paulista com a Rua Augusta, no bairro de Cerqueira Cesar. Fiquei sabendo recentemente que o cinema não existe mais.
Não sei por que, mas pensei em tudo isso enquanto estava na fila de um cinema aqui em Manhattan para ver o mais novo filme da série intitulado “Terminator Salvation”. Talvez estivesse tentando resgatar um passado que me acompanha, desde que me mudei para Nova York, há quase 20 anos.
O passado de uma cidade onde, mesmo com todos o seus problemas, passei, sem dúvida, os melhores anos de minha vida. Acredito, sinceramente, que este seja o dilema de milhões de imigrantes que deixam suas raízes para replantá-las nesta metrópole.
Sabemos que o passado vivido em nossos países de origem jamais voltará, mesmo assim, seguimos sonhando com a esperança de que, algum dia, as coisas voltem a ser como eram – antes do avião fechar suas portas e levantar voo.
Morte de um Amigo
Quando lia a coluna do jornalista Paulo Francis, no jornal Folha de São Paulo, nos idos dos anos 80, Francis sempre falava dos amigos dos tempos da juventude e como são os que carregamos conosco até a nossa morte. Na época estava com apenas 25/26 anos.
Não dava muita importância às suas reminiscências. Recentemente, perdi um amigo com quem mantinha uma relação de profunda estima e afeto. Hoje, aos 50 anos, entendo perfeitamente o que Francis queria dizer. Os meus três anos no Ensino Médio (antigo Colegial), na Escola de Comercio Álvares Penteado, sem dúvida,foram os anos escolares mais felizes da minha vida.
Nesta época conheci também meus melhores amigos/as. Tenho certeza absoluta que para o Renê eu também fazia parte de suas reminiscências escolares. Renê Correia Castagna, muito obrigado pelos momentos que passamos juntos. Quer estudando na mesma classe, quer cabulando as mesmas aulas, quer jogando futebol de salão (e ganhando, finalmente, aquela tão almejada medalha de campeão), quer nos aniversários, almoços/jantares na sua casa e, é claro, também nas noites em que ficávamos conversando no seu quarto até altas horas.
Carregarei comigo ate o fim, estas e outras memórias da nossa amizade. Descanse em paz meu amigo!

Edson Cadette