Salvador – A médica Luamorena Leoni Silva, 29 anos, formada pela Universidade Federal da Bahia, está acusando a Secretaria Municipal de Saúde de Salvador da prática do crime de racismo. A médica, que é negra e usa cabelo rastafári, foi comunicada pelos dirigentes da Secretaria de que não tinha perfil para fazer o atendimento na Unidade de Saúde da Família do Alto das Pombas, bairro da Federação, em Salvador.

“Quando se diz para um profissional que ele vai ter que ser transferido do seu posto de trabalho porque não tem o perfil para trabalhar naquele lugar, trabalhar com aquela população, com aquela comunidade e se diz também que aquela falta de perfil não é uma questão técnica, não é porque a pessoa não sabe fazer aquilo para o qual foi contratada, no meu caso, não sabe passar uma medicação, sabe fazer uma consulta, não sabe fazer uma visita domiciliar, não sabe atender a população, isso fica muito vago. Eu não tenho como entender perfil, senão como uma questão racial”, afirmou a médica.

Repercussão

O caso está tendo grande repercussão, inclusive no Sindicato dos Médicos da Bahia (Sindimed), no Conselho Regional de Medicina da Bahia (Cremeb-BA), e na Faculdade de Medicina da UFBA, onde Luamorena se formou, que já se manifestaram em notas de solidariedade. Provocada pela denúncia, a Secretaria de Saúde abriu processo administrativo. Na comunidade do Alto das Pombas, os moradores estão revoltados. 

A prefeitura de Salvador é dirigida pelo prefeito ACM Neto, do DEM, e tem como vice  uma negra, a professora Célia Sacramento, do PV.

Segundo a médica, pode ter contribuído para o pedido de afastamento, o fato de ter feito críticas ao estado de funcionamento da unidade onde trabalha. Morena disse que problemas de estrutura como infiltrações nas paredes e falta de material de trabalho como medicamentos são constantes.

Logo depois da denúncia do pedido de afastamento, a população do Alto das Pombas, organizou uma rede de solidariedade para garantir a permanência da médica. Luamorena disse que também processará todos os implicados na tentativa de afastamento, pela prática de racismo, crime previsto na Lei 7.716/89.

Crédito da foto: Portal R7

 

Da Redacao