Barretos/SP – Termina nesta sexta-feira (17/07) o prazo para que a Comissão de Sindicância criada pela Santa Casa de Misericórdia de Barretos conclua os seus trabalhos e divulgue o relatório do caso da agressão de caráter racista a médica anestesista Carolina Bernardes.

A médica denunciou ter sido humilhada e xingada de forma depreciativa de “negrinha” pelo colega Fernando de Carvalho Jorge, um obstetra (foto abaixo) que tem contrato com o Hospital para atender clientes particulares. O caso ocorreu no dia 07 de junho passado e está sendo apurado em Inquérito Policial aberto pela Delegacia da Mulher de Barretos e pelo Conselho Regional de Medicina. Tanto à Polícia quanto ao CRM, Carolina confirmou os termos da denúncia e apresentou testemunhas que também já foram ouvidas.

Jorge nega ter agredido a anestesista e afirma que tudo não passa de "ficção". Depois da denúncia e com a repercussão do caso nos principais veículos de comunicação do país, o obstetra passou a acusar a colega de "negligência e omissão de socorro".

Cortina de fumaça 

A Sindicância, criada pelo interventor da Santa Casa Eduardo Petrov foi vista como uma “cortina de fumaça” para desviar a atenção da denúncia da médica. O agressor pertence a uma família de grande influência na cidade e é amigo pessoal e de infância de Petrov.

A suspeita foi reforçada pelo fato do interventor – que nas eleições do ano passado foi candidato a deputado estadual pelo PT – ter pedido a substituição da médica à Cooperativa de Anestesiologistas de Ribeirão Preto (COOPANEST/RP), a qual Carolina está ligada, sem nem mesmo ouvi-la.

Posteriormente, voltou atrás, negou ser responsável pelo ofício assinado em seu nome por um subalterno e anunciou a criação da Comissão para apurar uma suposta negligência médica e omissão de socorro – exatamente a denúncia feita pelo acusado da agressão. Com isso a médica passava de vítima à ré.

Segundo Carolina, a irritação do obstreta e o xingamento ocorreu porque ela não teria deixado um paciente com fratura exposta na tíbia que estava sendo socorrido, para atender ao chamado do obstreta para que anestesiasse uma cliente que dera entrada em trabalho de parto.

O crime de injúria racial está previsto no parágrafo 3º do art. 140 do Código Penal. A pena prevista, em caso de condenação, varia de 01 a 3 anos de reclusão e multa. 

Novo prazo

Logo depois da denúncia, o interventor convocou entrevista coletiva e anunciou a constituição da Comissão de Sindicância com prazo de 07 dias para encerrar os trabalhos. Posteriormente, em nova Portaria – 0002/2015, de 02 de julho – o prazo foi extendido por mais 15 dias para a “completa elucidação dos fatos”.

A comissão é presidida por Edson Flausino da Silva Júnior, Chafei Neto, Hely Pimenta Neto e Rogério da Silva Teodósio, todos funcionários da Santa Casa.

No texto de constituição da Portaria, o interventor comete uma gafe ao atribuir a Comissão o papel de “proceder a apuração de infrações penais e administrativas relacionadas a episódio ocorrido em data de 07/06/2015”.

Segundo advogados ouvidos por Afropress, Comissões de Sindicância não têm competência para apurar infrações penais, que deverão ser investigadas no Inquérito Policial já aberto.

 

Da Redacao