Sertãozinho/SP – O Tribunal de Justiça de S. Paulo condenou o médico José Alves Lara Neto, réu em processo por injúria racial, a pagar R$ 60 mil de indenização por danos morais à técnica de enfermagem Clotilde de Jesus Carvalho Miranda.
O médico é acusado de ter ofendido Clotilde, usando expressões depreciativas a sua cor negra. O caso aconteceu em março de 2003 e, na época, os dois profissionais trabalhavam na Santa Casa da cidade. A sentença de 1ª instância é de fevereiro deste ano, porém, o médico recorreu da execução para reduzir os juros.
“O Judiciário determinou pagamento de 50 salários mínimos e, com os juros e os honorários advocatícios, o valor chega a R$ 60 mil. Se ele [médico] conseguir diminuir os juros, o valor da indenização reduz um pouco, mas não muito”, afirmou o advogado de Clotilde, Jorge Marcos de Souza.
O caso
Clotilde entrou com a ação em 2003, acusando o médico de ter se referido a ela com as expressões “cala a boca sua negra, ou te dou um tapão na boca e arrebento seus dentes”.
Segundo testemunhas, a agressão aconteceu após o médico esmurrar a porta do hospital e entrar aos gritos, em direção a funcionários, irritado com a demora em ser atendido. Dois funcionários do hospital ouviram o bate-boca e conseguiram impedir a agressão física.
“Ele levantou a valise para me agredir e os meninos entraram no meio e não deixaram”, conta Clotide.
Ela conta que ficou tão nervosa que sua pressão arterial subiu para 18. “Eu fazia faculdade de enfermagem e não consegui ir para fazer uma prova. Nunca tinha passado por uma situação como essa na minha vida”, relembra.
Clotilde afirma que resolveu processar o médico para que ele não agrida verbalmente outras pessoas. “Eu quero que esta decisão da Justiça sirva para ele aprender a lição e respeitar a todos”, diz a mulher.
Outro lado
O agressor, porém, agora se diz vítima de armação. “Chamei a atenção sem nenhuma ameaça e fui viajar. Quando voltei, estava processado por racismo e depois virou injúria, mas não tenho como pagar este valor.”
Ele diz que bateu na porta e falou alto com os funcionários da Santa Casa porque estava desesperado para atender uma emergência. “A paciente estava com insuficiência respiratória e, quando entrei, chamei a atenção, mas não fiz comentário racista porque a paciente que eu tentava socorrer era negra.”
O advogado Antônio Sanches, que defende o médico, informou que recorrerá do valor da indenização.

Da Redacao