Sertãozinho/SP – O médico de Sertãozinho, José Alves Lara Neto, que já tem condenação pelo Tribunal de Justiça de S. Paulo em processo por injúria racial, está sendo novamente acusado da prática do crime de racismo, desta vez contra a auxiliar de limpeza do Posto de Saúde Central da cidade, Marizelda de Fátima de Souza.
Segundo relata Boletim de Ocorrência, registrado na Delegacia de Defesa da Mulher de Sertãozinho, o médico invadiu a cozinha do Posto perguntando quem era o responsável pelo lixo, uma vez que o mesmo estaria aberto e voando para frente de sua casa, que fica em frente ao PS.
Você é negra
Ao ser informado pela vítima de que o lugar do lixo é definido pela chefe do Posto, o médico se exaltou e mandou que Marizelda calasse a boca, pois ele era médico e ela não era nada, que era rico e ela, pobre. “Olha minha cor, eu sou branco e você é negra”, afirmou, fazendo gestos e passando a mão no braço para mostrar a cor da pele.
De acordo com testemunhas, a auxiliar de limpeza, então, respondeu. “Sou negra e pobre mais tenho educação”. Diante da resposta, o médico tentou agredi-la o que só não ocorreu porque sua chefe se colocou na frente impedindo sua passagem.
Fora de si, Lara Neto gritava, sendo testemunhas. “Coloca essa vagabunda prá trabalhar”. A agressão foi testemunhada por várias pessoas, inclusive, funcionários do Posto, arrolados como testemunhas.
O Presidente do Conselho da Comunidade Negra Acácio Augusto Tobias, o vice, Vagner Fernandes e o advogado do Conselho, Lucas Simão Tobias, compareceram ao Posto para se solidarizar com Marizelda. “Temos que apurar os fatos e agir conforme a lei, não podemos mais deixar que esses absurdos ocorram mais em nossa cidade” afirmou AcácioTobias.
Reincidente
O médico é reincidente em casos de agressão com motivação racista. Ele foi condenado pelo Tribunal de Justiça de S. Paulo ao pagamento de R$ 60 mil de indenização por danos morais, em processo por injúria racial, por ter agredido a técnica de enfermagem Clotilde de Jesus Carvalho Miranda.
O caso aconteceu em março de 2003, na Santa Casa de Sertãozinho, onde ambos trabalhavam. A decisão da Justiça aconteceu em fevereiro do ano passado, porém, ainda não transitou em julgado porque a defesa do médico recorreu.
Veja o vídeo
http://g1.globo.com/sp/ribeirao-preto-franca/jornal-regional/videos/t/edicoes/v/mulher-denuncia-medico-de-sertaozinho-sp-por-injuria-racial/1995726/

Da Redacao